A Arquidiocese de Florianópolis, junto com as outras dioceses do Brasil, celebra o Ano do Laicato, que vai de 26 de novembro deste ano a 25 de novembro de 2018. O tema escolhido para este período é: “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na Igreja em saída, a serviço do Reino” e o lema: “Sal da terra e luz do mundo” (Mt 5,13-14).

Segundo o bispo da Diocese de Caçador, Dom Severino Clasen, presidente da Comissão Episcopal Especial para o Ano do Laicato, pretende-se trabalhar a mística do apaixonamento e do seguimento a Jesus Cristo. “Isto leva o cristão leigo a se tornar, de fato, um missionário na família e no trabalho, onde estiver vivendo”, disse o bispo.

O Ano do Laicato tem como objetivo celebrar a presença e a organização dos cristãos leigos e leigas no Brasil; aprofundar a sua identidade, vocação, espiritualidade e missão; e testemunhar Jesus Cristo e seu Reino na sociedade.

DOCUMENTO Nº 105

O documento “Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade” (Doc. 105) foi aprovado na 54ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada em Aparecida, de 06 a 15 de abril de 2016.

Tem como princípio, a afirmação dos cristãos leigos e leigas como verdadeiros sujeitos eclesiais. Esta expressão – sujeitos eclesiais – quer dizer que o leigo não é só destinatário do Evangelho, mas também é o sujeito. Além disso, o documento pretende estimular todos os leigos a compreenderem sua vocação e missão para atuarem como verdadeiros sujeitos eclesiais nas diversas realidades em que se encontram.

O material acompanha a metodologia ver-julgar-agir e está separado em três capítulos. O primeiro trata da vida dos cristãos leigos, com seus avanços. Depois, aborda o mundo globalizado em uma visão sociopastoral. Aponta alguns discernimentos necessários para analisar e enfrentar este mundo e suas tentações. Por fim, indica propostas para a mudança de mentalidade e de estruturas.

O segundo capítulo analisa o que Concílio Vaticano ensina sobre a comunhão na diversidade, que consiste na identidade e na dignidade laical como sujeito eclesial no ponto de vista eclesiológico.

O terceiro capítulo trata da ação dos cristãos leigos na Igreja e no mundo. Trata da dimensão missionária da Igreja, desenvolve questões da espiritualidade concreta, recorda aspectos da história da organização do laicato no Brasil, e indica princípios e critérios para a formação do laicato. O material também aponta lugares específicos da ação dos cristãos leigos no mundo de hoje, e conclui com indicativos, encaminhamentos e compromissos para a caminhada do laicato no país.

NA PRÁTICA

O Ano do Laicato pretende dinamizar o estudo e a prática do Documento 105: “Cristãos leigos e leigas na Igreja e na Sociedade”. Que estimular a presença e a atuação dos cristãos leigos, “verdadeiros sujeitos eclesiais” (DAp, n. 497a), “sal, luz e fermento” na Igreja e na sociedade.

O Jornal da Arquidiocese conversou com alguns profissionais liberais e perguntou: O que motivou você a participar da igreja e como você testemunha sua fé no seu trabalho?

COMUNICAÇÃO

Mayara Schmidt Vieira, 29 anos, casada, jornalista. Participa da Paróquia São Luiz Gonzaga, na Agronômica, em Florianópolis, e frequentou até o início da juventude a Paróquia Santo Antônio, em Campinas, São José.

O que motivou você a partipar da Igreja?

“O exemplo dos meus pais. Eles sempre nos levaram à missa, às festas da Igreja. Nos ensinaram a rezar antes das refeições, a rezarmos juntos em outros momentos e a seguir os ensinamentos da religião católica: a humildade, o respeito, a generosidade, a empatia”.

Como você testemunha sua fé no mundo da comunicação?

“A fé é uma característica que faz parte de mim, é intrínseca. Por isso, considero que a levo para todos os lugares e, muitas vezes, posso demonstrá-la até sem perceber, de forma genuína e natural. Mas há momentos em que já ajudei colegas em momentos difíceis, com diálogo e compartilhando minha fé. Todo dia antes de sair de casa, há um pedaço da oração que rezo e diz assim: ‘que no decorrer deste dia meu Deus, eu te revele a todos’. Isso que peço em oração acaba por acontecer”.

CULTURA

William Victor Hawerroth, 23 anos, solteiro, publicitário e músico. Participa da Paróquia São Cristóvão, em Itajaí.

O que motivou você a partipar da Igreja?

“De início, o fator motivador foi o desejo da minha mãe em ter os filhos mais próximos da Igreja. Posteriormente, após um tempo de participação, a influência como músico e o convite do meu cunhado para participar do ministério de música da Paróquia São Cristóvão”.

Como você testemunha sua fé no mundo da comunicação?

“A música não trabalha apenas a parte motora, ela também se reflete em sensações e sentimentos de quem toca e escuta. Uma das minhas alegrias, desde quando comecei a tocar um instrumento, é atingir de forma positiva o coração de outras pessoas. É fazer com que elas sintam-se tocadas, recebam a ‘informação’ com o coração e que se libertem das coisas ruins. A minha atuação como músico ‘do mundo’ sempre me proporcionou essas sensações, mas dentro da Igreja é algo mais intenso e profundo, realmente faz com que eu sinta que um trabalho verdadeiro e fiel está sendo realizado”.

POLÍTICA

Thiago José de Chaves, 32 anos, solteiro, diretor de trabalho, renda e emprego no Governo do Estado de Santa Catarina e professor e coordenador do curso de gestão eclesial, na Faculdade Católica de Santa Catarina (FACASC).

O que motivou você a partipar da Igreja?

“A educação que ganhei em casa foi estar com Deus e que a fé nos faz acreditar em um mundo melhor. E também através da fé poder fazer com que a gente acredite naquilo que o nosso Mestre nos ensinou”.

Como você testemunha sua fé no mundo da política?

“Como diria São Tiago, “a fé sem obras é morta”. A obra no sentido pleno é você se doar no trabalho feito com amor, dedicação, independente da profissão, e com mais afinco e benevolência. Eu acredito que como cristão leigo, todos nós podemos testemunhar nossa fé no trabalho, fazendo com que ele esteja presente no meio de nós. O cargo público que ocupo atualmente é fundamental para que eu possa colocar na prática aquilo que o Papa Francisco diz: os jovens devem ser revolucionários no ponto de vista da fé. A cada dia possamos ser melhor, que a gente se volte para o bem comum e faça com que a política seja uma nobre ação, diferente do que é visto hoje no Brasil. No meu trabalho acredito que isto seja um fator preponderante”.

JUDICIÁRIO

Fernanda Luz da Rosa, 33 anos, noiva, advogada e analista da Defensoria Pública do Estado de Santa Catarina. Participa da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição da Lagoa, na Lagoa da Conceição, em Florianópolis.

O que motivou você a partipar da Igreja?

“Minha participação da Igreja começou desde que nasci, pois a minha família é muito católica e sempre frequentei a Igreja com meus pais. Mas a minha atuação na Igreja se intensificou quando eu tinha 17 anos e comecei a participar do Movimento de Emaús”.

Como você testemunha sua fé no mundo do judiciário?

“Eu trabalho na Defensoria Pública, atendo a camada mais necessitada da sociedade, aqueles que mais sofrem com as mazelas sociais e as injustiças e que, muitas vezes, comparecem na Defensoria como último recurso. Por lá passam desempregados, desacreditados, famintos, viúvas, estrangeiros. Penso que o meu papel, enquanto cristã, é dar esperanças e humanizar a justiça. Dar voz aos menores. ‘Tudo que fizeres a um pequenino a mim que fizeste’ (Mt 25,40)”.

EDUCAÇÃO

Afonso Luiz Silva, 53 anos, casado, diretor geral do Colégio Catarinense, em Florianópolis. Participa da Paróquia Nossa Senhora da Glória, no Balneário do Estreito, e da Igreja Santa Catarina de Alexandria, no Colégio Catarinense, ambas em Florianópolis.

O que motivou você a partipar da Igreja?

“Sou de uma família católica. Morava em Itajaí, meu pai era pintor e um dia ele foi pintar a casa de uma pessoa que participava do conselho administrativo da Igreja e Santíssimo Sacramento, em Itajaí. Lá havia um cargo de auxiliar de administração e comecei a trabalhar na Igreja. Comecei uma imersão maior de vivência com os padres, pastorais, e isso foi me despertando um interesse pela vocação sacerdotal. Decidi ir para o seminário, fiz o propedêutico, conclui filosofia e o primeiro ano de teologia, como seminarista. Então dei uma parada para discernir minha vocação. Dom Afonso Niehues, arcebispo da época, concedeu-me esta oportunidade de continuar cursando teologia como leigo. Comecei a trabalhar no Colégio Catarinense após sair do seminário no ano 1988 e estou aqui até hoje”.

Como você testemunha sua fé no mundo da educação?

“A fé não é um rótulo, ela é uma expressão de vida. Aquilo que acredito e busco como a experiência de Jesus em minha vida procuro fazer um testemunho nas minhas relações. A maior e melhor parte disso é sempre estar aberto, solícito, atento às necessidades do outro. O meu trabalho também possibilita isto. A profissão do professor é uma missão. Não é somente transmitir conhecimento, mas é estar atento à pessoa do aluno. Uma educação personalizada, com respeito à fé de cada um e uma educação embasada em valores, que promova a dignidade, justiça, respeito e alteridade. É isto que Deus espera de nós, foi isto que ele testemunhou para que pudéssemos viver nesta dimensão humana que ele viveu”.

Matéria publicada no Jornal da Arquidiocese, páginas 06 e 07, edição de novembro de 2017

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