Para onde caminha o Brasil às vésperas de seus 200 anos de independência em 2022? Num dos momentos mais difíceis da história do país e do mundo, essa pergunta é fundamental para manter a centralidade na promoção e defesa da vida. A vida, sim, deve estar sempre em primeiro lugar. Para isso, é necessário “ver e ouvir o grito de aflição do povo” (Ex 3,7).

Quais são os gritos de aflição do povo? Os gritos de aflição dos familiares de quase 600 mil vidas perdidas na pandemia. Os gritos por mais vacinas, e por investimentos públicos na saúde. Os gritos dos que foram impactos física e psicologicamente pela pandemia e hoje buscam recuperação. Os gritos, muitas vezes calados, dos homens e mulheres que clamam por alimentos para sustentar suas famílias, que constituem atualmente em 44,8% da população brasileira. Os gritos dos trabalhadores, com pés e mãos calejados, que buscam uma nova oportunidade, um novo recomeço, uma forma de garantir dignamente seu próprio destino, sem depender de auxílio emergencial ou apoio de entidades sociais para sobreviver. São 14,7 milhões de pessoas sem ocupação profissional atualmente no Brasil. Os gritos por mais igualdade social, frisando que em plena pandemia o país ganhou 11 novos bilionários, sendo que o número de pobres saltou de 9,5 milhões, em agosto de 2020, para mais de 27 milhões, em 2021.

O Grito dos Excluídos deste ano buscará ser a voz de muitos que perderam sua força e sua voz neste processo de adoecimento humanitário causado pela pandemia. A vida em primeiro lugar é a proposta central do comitê organizador da 27ª edição do evento, que ocorrerá em diversas partes do país no dia 7 de setembro.

Por Fernando Anísio Batista

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