A Galácia foi fortemente povoada por bandos de gauleses (celtas) que, séculos antes de Cristo, desceram da Gália pelo Danúbio até a Ásia Menor. Ela foi conquistada em 189 aC. pelo cônsul romano Mânlio Vúlsio, e foi expandindo-se territorialmente até se tornar “província romana” nos anos 25 aC. Em sua segunda viagem missionária, provavelmente pelos anos 50, S. Paulo encontrou uma região bem diversificada de gregos, romanos, judeus, e ali fundou uma comunidade cristã (ou até mais comunidades). Ele a visitou alguns anos depois, na terceira viagem, pelos anos 53, “confirmando todos os discípulos” (At 18,23). Enquanto estava em Éfeso (At 19,8-10), ele recebeu notícias desagradáveis da Galácia.

Segundo lhe reportaram, os gálatas estavam sendo atribulados por um “grupo de agitadores” (Gl 1,7) que julgava necessário o retorno à Lei de Moisés, a circuncisão e outras práticas, para obter salvação. Esse grupo também questionava a autoridade e a pregação de Paulo, considerada contrária ao que os outros apóstolos pregavam (Gl 1,1.7.12). Por isso, a comunidade caiu em uma angustiante crise de identidade, de autoridade e de fé.

De Éfeso, então, pelos idos de 54, S. Paulo enviou esta carta aos gálatas a fim de confirmar a fé em Cristo como única necessária para a salvação, bem como reiterar que seu apostolado é um chamado feito por Deus (Gl 1,1), baseado na Revelação (Gl 1,10s) e realizado com o reconhecimento dos outros apóstolos (Gl 2,9). Eis as seções dessa carta: I – Introdução (1,1–5); II – O chamado de Paulo ao apostolado (1,6–2,21); III – A justificação pela fé (3,1-29); IV – A vida nova dos filhos de Deus (4,1-31); V – A liberdade cristã (5,1–6,10); VI – Epílogo (6,11-18). No próximo número, analisamos o conteúdo da carta.

Artigo publicado na edição de abril de 2019 do Jornal da Arquidiocese, página 08

Por Pe. Gilson Meurer

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