No século XI não havia uma ameaça aparente para a natureza. Mas isso não era necessário para fazer despertar em São Francisco o entendimento de que somos parte dela e de que tudo está interligado, onde a vida animal e vegetal fazem parte do plano divino incondicional do amor de Deus, que confiou nos seres humanos o cuidado da criação. Essa ideia era muito avançada na época, mas Francisco simplificava tratando todos os seres vivos como irmãos. No dia 4 de outubro é comemorado o dia de São Francisco de Assis, que deixou como legado sua fidelidade ao Evangelho, o amor pelos pobres e o cuidado da criação.

O tempo passou. Houve revolução industrial e tecnológica, com o aumento significativo da produção de resíduos, com considerável tempo de decomposição, aumentando o impacto gerado pela ação humana na natureza. A preocupação da maioria dos seres humanos é outra e o legado de São Francisco de Assis vai sendo deixado de lado.

A partir do Papa Francisco é renovado o apelo de cuidado com a criação. A encíclica Laudato Sì apresenta a fundamentação científica sobre o impacto da ação do ser humano na natureza. O mundo não suporta tanta destruição. A resposta é a mesma de dez séculos: tudo está interligado como se fossemos um, tudo está interligado na nossa casa comum.

O Sínodo para a Amazônia, de 6 a 27 de outubro de 2019, convida a reaprender com São Francisco de Assis que a criação só será poupada quando se alcançar uma visão sistêmica de cuidado. A Amazônia é terra escolhida para o abrir de “novos caminhos para Igreja e para uma ecologia integral”. A destruição da Amazônia é uma ameaça para toda a humanidade. Se não houver mudanças nos rumos de convivência com esse bioma, poderá ser tarde para aprender as lições deixadas pelos Franciscos.

Por Fernando Anísio Batista

Publicado na edição de outubro de 2019 do Jornal da Arquidiocese, página 05

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