Após a saudação aos cristãos de Filipos, aos epíscopos e diáconos (1,1-2), transborda do coração de Paulo prisioneiro uma ação de graças pelos seus amigos de Filipos, tão fervorosos e ardorosos na fé, participantes do Evangelho: “Deus me é testemunha de que vos amo a todos com a ternura de Cristo Jesus” (1,8).

A situação de Paulo, porém, é marcada pelas prisões, que, antes de se tornar um empecilho à difusão do Evangelho, têm-se tornado ocasião para que mais irmãos, com ousadia e sem temor, proclamassem a Palavra. Paulo não teme o martírio, pois “o viver é Cristo, e morrer é lucro” (1,22), mas se permanecer vivo na carne é necessário “para proveito vosso e para a alegria de vossa fé” (1,25), ele o faz por amor de Cristo e dos irmãos.

Paulo conclama todos à unidade, “no mesmo sentimento, no mesmo amor, numa só alma, num só pensamento, nada fazendo por competição ou vanglória, mas com humildade…” (2,3), para enfrentar as dificuldades e perseguições dos adversários, tendo “os mesmos sentimentos de Cristo” que, mesmo sendo Deus, fez-se homem, humilhando-se até à morte sobre uma cruz (2,5-11).

O apóstolo ainda alerta para o perigo dos falsos “circuncidados”, aqueles que desejam impôr costumes judaicos para a salvação, como o da circuncisão, quando o necessário é a fé em Jesus Cristo, pois os “verdadeiros circuncidados somos nós”, que prestamos culto pelo Espírito de Deus, e não “confiamos na carne”. De fato, Paulo, hebreu e fariseu de nascimento, poderia ser o primeiro a exigir tais coisas, mas tudo ele fez perder para “ganhar Cristo e ser achado nele” (3,1-16).

Essa “carta da alegria” somente poderia terminar no louvor: “Alegrai-vos sempre no Senhor! Repito: alegrai-vos! […] apresentai a Deus todas as vossas necessidades pela oração e pela súplica, em ação de graças” (4,4-7). E as últimas admoestações são um caminho de santidade: “ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, honroso, virtuoso ou que de qualquer modo mereça louvor […] Então a paz de Deus estará convosco” (4,8-9).

Por Pe. Gilson Meurer

Artigo publicado na edição de outubro de 2019 do Jornal da Arquidiocese, página 08

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