Haitiano Felipe Jandir feliz com o emprego no Brasil

Haitiano Felipe Jandir feliz com o emprego no Brasil

Desde novembro de 2014 até dezembro de 2015, a Igreja vive o Ano da Paz, convocado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Para os cristãos bem viverem este período, a CNBB publicou um subsídio com indicações concretas do que se fazer durante o ano.

O secretário-geral da Conferência, Dom Leonardo Ulrich Steiner, cita no texto-base que a paz não é um sonho, nem uma utopia, mas é possível. “Acendamos a luz; uma pequena chama que não se deixa apagar pela violência, e percorramos o caminho da paz. Jesus é o caminho da paz. Ele é a nossa paz”, expressou.

A violência cresce em todos os níveis. Segundo o texto, é violência de morte, de abuso de poder, descarte da pessoa, quebra das relações de confiança, desagregação da família, corrupção, avareza, marginalização da criança e do adolescente.

Mais recentemente, convive-se com a violência do preconceito contra os haitianos, sírios e senegaleses na Arquidiocese de Florianópolis. Pessoas que deixaram seus países de origem, destruídos por catástrofes naturais ou pela guerra e fizeram do Brasil sua nova morada.

É o caso do haitiano Felipe Jandir, que completou 44 anos no dia 15 de maio longe da esposa e dos três filhos. “No Haiti não consegui trabalho. Quero trabalhar aqui em Florianópolis e ajudar minha família que ficou lá”, afirmou Felipe que já conseguiu um emprego na área da construção. Felipe e os vários haitianos que têm chegado ao Brasil todos os meses, só querem uma coisa: paz.

A antropóloga da Pastoral do Migrante, Tamajara da Silva, observa que o Estado revive a história dos primeiros imigrantes que chegaram ao Brasil. Mais ou menos entre os anos de 1880 e 1930 aconteceram os grandes fluxos migratórios. “Já chegamos a ter 25% da população de Santa Catarina formada por imigrantes. Após a Segunda Guerra Mundial também vieram muitos refugiados”, cita a antropóloga. Florianópolis virou um centro de conexão destas pessoas. “Neste primeiro momento, os haitianos e senegaleses precisam de mãos solidárias para lhes dar dignidade na acolhida”, confirmou Tamajara.

Quando é a hora de se viver a paz? Pergunta que não cessa no coração de muitos imigrantes que conviveram com a guerra diariamente e hoje querem experimentar novamente da sensação de paz.

O sentimento de rejeição e xenofobia são contrários à paz que acolhe o diferente e supera o preconceito. São João Paulo II citou, na Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2003, que “o amor será fermento de paz, se as pessoas sentirem como próprias as necessidades dos outros e partilharem com eles o que possuem, a começar pelos valores do espírito”.

Tamajara, Adriana e o esposo Jorge com a filha Sahara e Pe. Joaquim ao centro.

Tamajara, Adriana e o esposo Jorge com a filha Sahara e Pe. Joaquim ao centro.

Foram estes valores que experimentou a colombiana Adriana Fernanda Mejia, 33 anos e há oito meses em Florianópolis. Em 2014 ela e o esposo Jorge Luis Alzate Agudelo, 54 anos, chegavam a São Paulo para ver a abertura da Copa do Mundo. Casados há 12 anos, os médicos da cidade de Pereira, na Colômbia – a 20 horas da capital Bogotá – diziam que ela não poderia ficar grávida. Mas na primeira semana no Brasil veio a notícia: Adriana estava grávida. Com a novidade, também a certeza de ficar no país. “É um milagre de Deus”, afirma a mãe de Sahara, hoje com três meses.

Viajaram em seguida para o Rio de Janeiro, onde perderam malas, passaportes e documentos. Conseguiram chegar a Porto Alegre e após um mês, desembarcaram em Florianópolis. Aqui, o casal católico procurou apoio na Pastoral do Migrante. O coordenador da Pastoral, Pe. Joaquim Filippin, providenciou os meios necessários para que Adriana e Jorge conseguissem os documentos. Hoje, o colombiano trabalha de pedreiro e a paz voltou a reinar na família, com um misto de gratidão. “Agradeço muito à Pastoral do Migrante por tudo que fez por nós. Não tenho palavras para agradecer. Eles são nossa família”, destacou.

“É preciso ensinar o mundo a amar a paz e a defendê-la contra a guerra e o ódio de raças”, lembra o Beato Paulo VI.  Acolher haitianos, senegaleses e os migrantes que chegam em nosso Estado não seria uma boa alternativa para promover a paz, a começar, no coração de cada um?

Matéria publicada na edição de julho do Jornal da Arquidiocese de Florianópolis, página 12.

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