“Eu sou o Pão Vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá eternamente, e o pão que deverei dar pela vida do mundo é a minha carne (…). Aquele que come a minha carne e bebe meu sangue permanece em mim, e Eu nele” (João 6,51-58).

A Solenidade de Corpus Christi é celebrada todos os anos na primeira quinta-feira após a Oitava de Pentecostes e, segundo estudos, o marco de sua instituição é um decreto escrito por Papa Urbano IV – a bula Transiturus de hoc mundo, publicada em 11 de agosto de 1264. Ele havia presenciado fatos espirituais como a visão de Santa Juliana de Liège (religiosa agostiniana belga) e um milagre ocorrido na cidade de Bolsena, na Itália, que veio firmar a fé vacilante de um sacerdote. Após o decreto, Papa Urbano pediu a Santo Tomás de Aquino para compor o ofício e partes da missa para esta solenidade, sendo ele o grande músico da Eucaristia, inspiração para os músicos da Igreja até hoje! 

Esta data é, portanto, um dia para que celebremos esse mistério, mas também nos penitenciarmos por nossa pouca fé e zelo pela sagrada Eucaristia. É muito mais que ornar belos tapetes que fazem memória ao dia da entrada de Jesus em Jerusalém e ao dia em que Jesus pediu que repetíssemos o seu partir do pão: “Enquanto comiam, Jesus pegou um pão, deu graças, quebrou-o, e o deu aos seus discípulos, recomendando: Tomai, comei; isto é o meu corpo” (Mateus 26,26-28).

É, de fato, uma grande oportunidade para meditarmos e crermos de verdade nesse mistério. O próprio São Paulo nos diz tão claramente que a Eucaristia é verdadeiramente o corpo e sangue de Cristo: “Não é verdade que o cálice da bênção que abençoamos é a comunhão do sangue de Cristo? Acaso o pão que partimos não é nossa participação no corpo de Cristo?” (1 Coríntios 10,16).  É preciso perceber que ao comungarmos, nos tornamos sacrários vivos para tocar o mundo tendo o próprio Jesus dentro de nós, ele que é o verdadeiro alimento capaz de nutrir a fé e a esperança não apenas nossa, mas de quem  estiver a nossa volta. É receber o Amor que não se cansa de querer habitar em nós. 

Por Simone Medeiros
Cantora e compositora missionária em aliança da Comunidade Católica Divino Oleiro

Artigo publicado no Jornal da Arquidiocese, edição junho de 2019, página 8

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