O orante do Salmo 141 suplica a Deus que o ajude diante das seduções do inimigo. No primeiro verso brota uma súplica por um imediato socorro, como se as suas forças estivessem no limite. A boca se destaca como fonte de pecado, tanto por onde saem palavras más, que por prevenção o salmista pede que Deus ponha um “guarda” e um “sentinela”, quanto por onde entra o manjar dos ímpios (v. 4). Aqui não se trata de “alimento impuro”, mas da ideia de que participar do banquete é comungar a vida e os valores. Rejeitando os banquetes e o óleo perfumado na cabeça (v. 5), o salmista não quer ser contado entre os corruptos.

Caso ele caia em pecado, a correção da comunidade deve vir em auxílio: “que o justo me golpeie, que o bom me corrija” (v.5). Sobre isso, em Eclesiastes se lê: “É melhor escutar a reprimenda do sábio que o canto dos estultos” (Ecl 7,5). E de Jesus se ouve: “Se o teu irmão pecar, vai corrigi-lo a sós…” (Mt 18,15s). O salmista pede uma punição para o malfeitor, seja através do juízo divino (“poder da rocha”; v. 6), seja deixa-los caírem nas próprias ciladas que eles armam (vv. 9-10). Desse modo, o orante exprime seu desejo que a justiça divina puna e corrija quem pratica a maldade.

O salmo se destaca pelo v. 2: “Sejam as minhas preces como incenso diante de ti, e o erguer de minhas mãos uma oferenda vespertina”. Esse verso contribuiu para que esse salmo se tornasse, no cristianismo primitivo, o cântico da liturgia vespertina. Ainda hoje se conserva na tradição oriental e ambrosiana o “lucernário”, isto é, o rito do acendimento das velas no início das vésperas e a recitação desse verso. Para Santo Agostinho, a grande oferta vespertina é, de fato, o sacrifício de Cristo na cruz. Jesus sofreu as tentações (Mt 4,1-11) e ensinou a rezar para não cair em tentação (Mt 6,13); por isso, esse salmo pode ser rezado como um pedido de “abrigo” e “defesa” (v. 8) contra o mal.

Leia o salmo e reflita:

1) O que suplica o orante nesse salmo?

2) Quais seduções de hoje nos afastam da fé?

Por Pe. Gilson Meurer

Artigo publicado na edição de agosto/2017, nº 237, do Jornal da Arquidiocese

Seu endereço de email não será publicado. Os campos marcados com * são obrigatórios

*