Após o lamento nostálgico dos exilados, que choram junto aos rios da Babilônia (Sl 136,1), passamos ao louvor e à ação de graças do salmo 137 (138 em hebraico). Esse Salmo, embora difícil de situá-lo, possui algumas características pós-exílicas, tal como o convite universal a “todos os reis da terra” de dar graças ao Senhor (v. 4). Se o exílio terminou, o salmista, em nome de toda a comunidade, “prostrado em direção do santuário” (a reconstruir?), agradece a Deus “de todo o coração” por ter respondido às suas preces (vv. 1-3).

Na versão hebraica, o orante coloca-se diante “dos deuses” (’elohîm) mas nas traduções grega e latina, diante “dos anjos” (angelorum), para cantar ao Senhor (v. 2). As versões grega e latina espelham a concepção arcaica da “corte celeste”, na qual “deuses menores” (anjos) serviam ao Senhor (cf. 58,2; Jó 1–2). Mas o hebraico pode referir-se aos “deuses pagãos”, “diante” (“contra”, “no confronto”) dos quais o salmista se posiciona para cantar ao único Deus. Trataria-se, assim, de um implícito ataque à idolatria, tal como denunciado por Isaías no contexto da libertação obtida do exílio babilônico (cf. Is 43,9-13).

O salmista louva ao Senhor pela sua fidelidade amorosa (v. 2), por ouvir as preces (v. 3), pelo seu beneplácito aos humildes (v. 6), por dar a vida e salvar em meios aos perigos (v. 7) e sua constante providência (v. 8). Uma bela oração, portanto, de agradecimento, de confiança e de súplica para que o Senhor nunca “abandone a obra de suas mãos” (v. 8).

Leia o salmo e reflita:

1) Qual o estado de ânimo do orante nesse salmo?

2) Em qual contexto pode-se situar o salmo?

3) Quais os motivos que suscitam o agradecimento do salmista?

Você também pode conferir este e todos os outros salmos no site da Arquidiocese: www.arquifln.org.br

Por Pe. Gilson Meurer

Artigo publicado na edição de maio/2017, nº 234, do Jornal da Arquidiocese

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