O Concílio Vaticano II (1962-1965) entende a Igreja como comunhão e missão que reflete no mundo a comunhão e a missão da Santíssima Trindade. O Documento de Aparecida assume essa concepção, quando afirma: “O mistério da Trindade é a fonte, o modelo e a meta do mistério da Igreja” (DAp 155). O documento 100 da CNBB, “Comunidade de comunidades: uma nova paróquia”, também assume essa configuração da Igreja: “O estado permanente de missão supõe que a comunidade cristã tenha consciência de que ela é, por sua natureza, missionária”. E, logo a seguir: “Para ser missionária, a paróquia precisa ir ao encontro das pessoas” (CNBB, Doc. 100, n. 189).

Comunhão e missão                               

Deus é comunhão e missão. Comunhão de três pessoas num só Deus. Missão do Filho e do Espírito Santo enviados pelo Pai ao mundo. Também a Igreja é comunhão e missão. É comunidade missionária, como ensina o Papa na Evangelii Gaudium (EG 24). São dois elementos inseparáveis: o ser leva para a ação; a ação conduz para o ser. É impossível ser discípulo e viver em comunhão, sem ser missionário. É impossível fazer missão sem proceder da comunhão e sem trazer de volta para ela.

Sístole e Diástole

Comunhão e missão equivalem ao pulsar do coração da Igreja num movimento de sístole e diástole. Sem os dois movimentos a Igreja pode morrer por necrose ou por hemorragia. A Igreja precisa da missão para captar os sinais dos tempos e enriquecer sua comunhão. E precisa da comunhão para dela fazer fluir os dons de Deus em benefício do mundo.

Igreja em saída

Esta expressão do Papa Francisco deve mexer com as posições, agendas, compromissos. O ser humano está muito acomodado àquilo que já faz e sabe. Dispor-se à conversão, à mudança de mentalidades e de práticas, ao desapego, eis o caminho que se tem pela frente. Se, em linha de hipótese, o mundo não precisa da Igreja para realizar-se, a Igreja, ao contrário, não consegue viver sem o mundo. Ela é chamada e enviada a dar vida ao mundo e se abastecer dele para poder continuar a ser. A Igreja só é se existir para os outros. É a única sociedade no mundo que existe em benefício daqueles que não são membros dela.

Artigo publicado na edição de outubro, nº 205, do Jornal da Arquidiocese.

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