O príncipe dos apóstolos assina 2 epístolas (cf. 1Pd 1,1 e 2Pd 1,1). A primeira epístola de São Pedro foi escrita, provavelmente, de Roma (a “Babilônia”, em 5,13), onde estava em companhia do amigo (“meu filho”) Marcos, o escritor do segundo evangelho. A carta deve ter sido escrita pouco antes de
seu martírio, em torno de 64, no tempo do imperador Nero. Endereça-a para os cristãos da “diáspora” (dispersos) pelos diversos territórios da Ásia
Menor (citadas em 1,1). Escreve em língua grega, de modo correto e harmonioso, auxiliado, aparentemente, por Silvano (cf. 5,12), que também era um colaborador estreito de São Paulo (At 15,22).

A finalidade da carta é sustentar a fé dos cristãos em meio às tantas provações, perseguições, injúrias e calúnias, especialmente da parte daqueles que não suportam a nova conduta exemplar de vida deles, após terem abandonado as práticas pagãs.

A carta possui certa afinidade com as cartas paulinas, podendo São Pedro ter se aproveitado de algumas delas para compor a sua, ou então, porque Silvano também foi discípulo de Paulo. A carta também tem afinidade com outros textos considerados “petrinos”, como o Evangelho de Marcos, e os discursos de Pedro em Atos dos Apóstolos.

A missiva possui um caráter eminentemente prático, mas também é rica de doutrina e de uma teologia comovente em seu ardor e simplicidade. O apóstolo encoraja os cristãos à perseverança nas tribulações, à paciência, respondendo ao mal apenas com o bem, com caridade, com respeito aos poderes públicos (2,13-17), mansidão para com todos. Para embasar suas admoestações, recorre ao exemplo de Cristo (2,21-25), a fim de que ninguém se sinta sozinho, ou perca a fé e a esperança.

Artigo publicado na edição de maio de 2021 do Jornal da Arquidiocese.

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