A passagem do Dia Internacional da Mulher, 08 de março, é ocasião para lembrar o empenho das mulheres da Bíblia na superação de condições de desigualdade, marginalização e opressão, como inspiração para as mulheres de hoje.

Uma leitura crítica e na ótica feminina nos faz perceber que, em certos textos bíblicos, mulheres foram silenciadas, seus nomes e sua atuação ocultados e esquecidos. Se algumas mulheres aparecem em posição de destaque, seja no Primeiro como no Novo Testamento, é porque, inspiradas pela fé em Deus, exerceram liderança, ultrapassaram barreiras patriarcais, saíram da invisibilidade e foram reconhecidas pelo povo.

Numa sociedade patriarcal, o espaço da mulher se reduzia à casa e seu papel aos serviços domésticos, à geração e cuidado dos filhos e ao trabalho na fiação da lã, do linho e na agricultura. Ser estéril era uma humilhação e castigo de Deus, enquanto ser mãe de muitos filhos, uma grande bênção. Porém, por ser filha do povo de Israel, a mulher tinha alguns direitos: ser sustentada pelo marido, resgatada por ele se viesse a cair na escravidão e ser assistida na doença. Ele não podia abandoná-la por qualquer motivo e devia respeitar o contrato de matrimônio, que garantia certa segurança à mulher. Apesar de ser comum que os pais escolhessem os cônjuges de seus filhos e filhas, a experiência do amor conjugal, por vezes, ultrapassava o peso e os limites das leis e costumes. Uma leitura mais atenta dos textos bíblicos nos ajuda a perceber que muitas mulheres, superando as barreiras impostas pela sociedade patriarcal, exerceram protagonismo na história do povo.

No seu tempo, Jesus, rompendo com leis, estruturas, costumes e tradições, relaciona-se de modo diferente com as mulheres e deixa claro sua predileção por elas, como pelos pobres e por todos os que ficavam à margem da sociedade. Seus gestos e atitudes provocam reações de surpresa e escândalo entre os escribas, fariseus, rabinos e, inclusive, entre os próprios discípulos. Jesus acolhe as mulheres, resgata a igual dignidade entre homens e mulheres e as integra no seu discipulado de iguais.

 

Por: Irmã Teresa Nascimento, iic

Coord. Programa de Extensão Comunitária

Faculdade Católica de Santa Catarina (FACASC)

Artigo publicado na edição de março do Jornal da Arquidiocese, pág. 08.

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