Os primeiros versículos da carta aos Romanos são dedicados à apresentação do “Apóstolo” Paulo, “servo de Cristo Jesus”, bem como da temática que ele pretende discorrer (Rm 1,1-17). Com efeito, o apóstolo enuncia que o evangelho é poderosa fonte de salvação para todos, manifestando a justiça de Deus (Rm 1,16-17). Para Paulo, não existe outro meio de salvação a não ser através de Jesus Cristo. Pois “todos pecaram e estão privados da glória de Deus, e são justificados gratuitamente, por sua graça, em virtude da redenção realizada em Cristo Jesus” (Rm 3,23-24).

O homem não está em condições de se tornar “justo” com as suas próprias ações, mas só pode realmente tornar-se “justo” porque Deus lhe confere a sua “justiça” unindo-o a Cristo, seu Filho. E o homem obtém esta união com Cristo através da fé. Contudo, esta fé não é um pensamento, uma opinião, uma ideia. Esta fé é comunhão com Cristo, é conformidade com Ele. Ou, por outras palavras, a fé, se é verdadeira, se é real, torna-se amor, caridade. Uma fé sem o fruto da caridade não seria verdadeira. Seria fé morta. “Em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão têm valor, mas a fé que atua pela caridade” (Gl 5,6).

Ele ainda acrescenta: “Nós sustentamos que o homem é justificado pela fé, sem as obras da Lei” (Rm 3,28). A Lei significava a Torah, ou seja, os cinco livros de Moisés. Ela se expandia, na interpretação farisaica, por uma infinidade de normas de comportamentos que ia do núcleo ético até às observâncias rituais e cultuais que determinavam a identidade do homem justo. Essas eram como um muro que protegia dos perigos dos desvios da fé. “Com Cristo, o Deus de Israel, tornava-se o Deus de todos os povos. O muro não era mais necessário: é Cristo que nos protege de todos os desvios; é Cristo que nos une com e no único Deus; é Cristo que garante a nossa verdadeira identidade na diversidade das culturas. Ser justo significa simplesmente estar com Cristo e em Cristo. A fé é olhar Cristo, confiar-se a Cristo, apegar-se a Cristo, conformar-se com Cristo e com a sua vida. E a forma, a vida de Cristo, é o amor. Paulo sabe que no dúplice amor a Deus e ao próximo está presente e é completada toda a Lei. Assim, na comunhão com Cristo, na fé que cria a caridade, toda a Lei é realizada”. (Papa Bento XVI, Audiência Geral, 19/11/2008).

Por Pe. Gilson Meurer

Publicado na edição de Setembro/2018, nº 249, do Jornal da Arquidiocese, página 08.

Seu endereço de email não será publicado. Os campos marcados com * são obrigatórios

*