Com a parceria entre o IVG e a comunidade daquele país, crianças ampliam suas esperanças de vida pela educação

O Instituto Vilson Groh (IVG) articula uma rede de apoio à educação na região de Empada, Guiné-Bissau, país da África Ocidental. Conforme o Relatório de Desenvolvimento Humano da ONU publicado em 2016, este país ocupa a 178ª posição no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), de um total de 188 países onde o índice foi calculado. O Brasil está na 79ª posição.

O país sofre problemas estruturais: educação, saúde, saneamento, energia elétrica, infraestrutura de transporte e outros. O foco do projeto em educação é estratégico, pois trata-se de um investimento estruturante, com efeitos multiplicadores e emancipatórios para toda a sociedade guineense.

A concepção e articulação do projeto é fruto de uma parceria entre o IVG e a comunidade local da vila de Empada. A gestão in loco é feita pelo padre Maio da Silva, sob supervisão do bispo Dom Pedro Zilli, da Diocese de Bafatá. O objetivo é fomentar o desenvolvimento da região de Empada, tendo a educação como indutor deste processo.

Esta iniciativa é viabilizada financeiramente por uma ampla rede de parceiros doadores. A estratégia de sustentabilidade consiste na articulação dos apoiadores, que possam contribuir individualmente com pequenas quantias. Esta rede é formada por indivíduos, famílias e grupos de diferentes cidades brasileiras, principalmente da Grande Florianópolis, Brusque e Curitiba. Trata-se de uma iniciativa viabilizada pela solidariedade coletiva.

Doze quilômetros a pé

No ano de 2016 foram beneficiadas 1.224 crianças e adolescentes em Guiné Bissau, com um investimento total anual de R$ 110.771,25. A alimentação foi introduzida porque muitas crianças não se alimentavam antes da aula, depois de percorrer aproximadamente 12 quilômetros a pé para estudar. Eram comuns casos de desmaios, dores de cabeça e mal-estar decorrentes da fome. Na região de Empada, a população come apenas uma vez por dia, próximo às 15h.

A opção religiosa da criança e do jovem não influencia na obtenção dos apoios, tendo crianças muçulmanas, católicas e protestantes. Os critérios para serem beneficiadas envolvem questões socioeconômicas.

O projeto atende as seguintes escolas: Liceu Dom Settímio Arturo Ferrazeta (Educação do 7º ao 12º), Escola Comunitária de Katiobá, Escola Comunitária de Mui, Escola Comunitária de Kudom (Ensino Fundamental, da 1ª à 6ª série) e Jardim das Irmãs da Consolata (Educação Infantil). Estas escolas foram beneficiadas com reformas em infraestrutura, compra de carteiras escolares, alimentação, materiais escolares e subsídio financeiro para pagamento dos professores. A ação oferece também, bolsas de estudos para jovens universitários e colônia de férias.

Aumento do número de alunos

O projeto impactou positivamente a educação da região. Por exemplo, no Liceu Dom Settímio Ferrazzeta, que atende adolescentes do 7º ao 12º ano, o número de alunos aumentou expressivamente. Quando o projeto iniciou no ano de 2013, a escola possuía cerca de 400 alunos, passando no ano letivo 2016/2017 para 850 alunos. Esse aumento representa uma evolução no número de alunos da ordem de 113%, no período de três anos. Para o ano letivo 2017/2018, o número de matrículas chegou a 1000 alunos e as aulas iniciam neste mês de outubro.

O IVG assumiu junto com a comunidade a construção de um pavilhão com três salas de aula no Liceu. Trata-se de uma ampliação da infraestrutura necessária para atender os mil alunos matriculados para o ano letivo. “Agradecemos a todos os parceiros que apoiam esta iniciativa. Juntos, ampliamos as perspectivas dos jovens guineenses.  A educação é fundamental para o desenvolvimento de uma nação”, destacou o Pe. Vilson Groh.

Valores investidos no projeto: 2013 – R$ 51.667,00 | 2014 – R$ 41.947,69 | 2015 – R$ 80.766,68 | 2016 – R$ 110.771,25 | 2017 – 117.867,04.

Matéria publicada no Jornal da Arquidiocese, na página 12, edição de outubro de 2017

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