Ainda respirando os ares do Sínodo dos Bispos sobre a Família e aguardando a Exortação do Papa Francisco que irá sinalizar os caminhos a seguir, estamos vivendo um momento de profundas reflexões sobre a família como um dom divino e a necessidade urgente de redescobrirmos a beleza do matrimônio.

E é neste contexto que a Pastoral Familiar tem grandes desafios que passam por uma atenção especial ao Encontro de Preparação para a Vida Matrimonial, pelo relacionamento com o mundo das comunicações e pela exigência de uma formação permanente e menos preocupações com as estruturas.

A caminhada sinodal, enriquecida com a Carta Apostólica do Papa Francisco sobre a nulidade matrimonial, indica claramente a necessidade de uma preparação para a vida matrimonial (os antigos cursos de noivos), muito mais sólida, prolongada e com antecedência à celebração. Esses encontros precisam levar os casais, que buscam o Sacramento do Matrimônio, a entenderem o real significado do amor conjugal cristão.

Sem o espírito de apenas “cumprir tabela”, os encontros devem proporcionar aos casais uma oportunidade de reflexão sobre o seu relacionamento, sendo momento de evangelização e aprofundamento da compreensão e vivência do amor. Para isso se faz necessário uma atualização de conteúdos e metodologias, atenção especial à doutrina da Igreja e criação de uma unidade diocesana.

Como afirma o Papa Paulo VI na Encíclica Humanae Vitae: “Sabeis também que é da máxima importância, para a paz das consciências e para a unidade do povo cristão, que, tanto no campo da moral como no do dogma, todos se atenham ao Magistério da Igreja e falem a mesma linguagem”.

A proximidade com o mundo das comunicações é outro desafio primordial em virtude da amplitude de sua influência nas famílias de hoje. Partindo do pressuposto que a família é a primeira escola de comunicação, precisamos lidar com essa tecnologia moderna de forma que o virtual não fique afastado do real e que tiremos dele o que é útil, sem deixar-nos corromper pelo meio.

Hoje esta convivência é essencial, pois o virtual atinge cada vez mais cedo os ambientes familiares e determina muitas vezes valores e procedimentos a serem vividos pelos seus membros.

Para o resgate dos verdadeiros valores, a formação permanente é uma forma de pulverizar experiências e aprofundar conhecimentos sobre os ensinamentos e documentos da Igreja. Sem formação acabamos nos influenciando e comprometendo com pensamentos humanos e mundanos, que nos distanciam dos princípios evangélicos.

Para tanto, além dos cursos do Instituto Nacional da Família e da Pastoral Familiar (INAPAF) precisamos proporcionar formações em nível de paróquia para repassar os preceitos da Igreja com clareza e simplicidade. Sabemos que as estruturas são fundamentais para o funcionamento das pastorais e precisam ser respeitadas, mas o momento é de nos preocuparmos menos com crescimento e quantidades de estruturas e mais com a difusão e partilha de conhecimentos.

É hora de fazer da Pastoral Familiar uma pastoral da Igreja toda, pois como nos diz o Papa Francisco, “as famílias são a resposta para o amanhã”.

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