O terrorismo: explosão de raiva explodindo pessoas

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_ Por Pe. José Artulino Besen

A história moderna tornou-se uma fábrica de guardar raiva e vingança: budistas contra hindus, muçulmanos sunitas contra os xiitas, cristãos contra cristãos católicos, ateus contra crentes, capitalistas contra comunistas. Esse aparato de contraposição religiosa gerou o fundamentalismo religioso, o mais terrível gerador de raivas, porque estimula e justifica matar em nome de Deus, obter o martírio se explodindo para obter o céu, com prazer mandar muita gente para o inferno. Cria leis que legitimam a dominação da mulher, a imposição de um credo, a vida esplêndida dos poderosos, servidos pelo povo que se sente amado por seu carrasco.

Diante disso tudo, a raiva se concretiza num pão que alimenta a vingança dos pobres que também querem usufruir do bem-estar, transforma o sonho dos jovens oprimidos em sonho de matar para ter o céu na terra ou matar e morrer para ir para o céu.

A vingança alimentada pela raiva torna-se incontrolável quando se transmuta em defesa do Deus ofendido, do meu Deus e se joga uma bomba contra inocentes aos gritos de “Deus é grande!”.

Os frutos mais conhecidos dessa raiva acumulada: o 11 de setembro de 2001, em Nova York, com três mil mortos; o 13 de novembro de 2015, em Paris, com as 129 vítimas do terror. E seguem as vítimas dos bombardeios no Afeganistão, Iraque, Síria, Palestina, que roubaram a infância de milhões de crianças. E a pátria e o lar de milhões de migrantes.

O mundo desenvolvido vive agora a experiência do viver com medo, das mães sepultando filhos assassinados, da paranoia do terrorismo. Tudo parecia tão bom, mas esse bom foi construído também sobre alicerces de injustiça e opressão. Mais uma vez, os inocentes pagam pelos poderosos e imensas riquezas são gastas para garantir o viver contra o terror planejado por jovens com ódio no sangue contra jovens inocentes.

Não podemos acusar o Islamismo em si contra o recente terror, porém, o Islamismo que não separou religião e política, as escolas islâmicas que dividem o mundo entre fiéis e infiéis têm sua culpa porque, ao invés de um sadio confronto, preferiram semear o ódio.

“Seigneur, désarme-les. Et désarme-nous”

Esta jaculatória “Senhor, desarma-os – Senhor, desarma-nos” inspirada no Irmão Cristiann de Tibherine, mártir do diálogo com os muçulmanos na Argélia, é proposta para esse momento de dor na sociedade francesa.

Nessa e em todas as horas da história, não haverá outro caminho para a paz do que escutar o Senhor que entra pelas portas fechadas, mostra suas chagas e oferece a saudação: “Shalom! A paz esteja convosco!”.

A Igreja aprendeu, já na Idade Média, que a PAZ é um dom divino a ser invocado e não uma realidade a ser conquistada a ferro e fogo pelo mais forte. Há três tipos de paz: a do pântano (falsa, por fora tudo bonito, por dentro cheia de vermes), a do medo (eu sou mais forte, eu venci) e a paz cristã: o Senhor é nossa paz, Ele traz reconciliação e nos faz irmãos.

Temos de viver reconciliados, invocando o Senhor da Paz, a fim de não plantarmos novas sementes de raiva em nossos corações.