Jesus Cristo, Rei do Universo

 

A Igreja celebra no último domingo do Ano Litúrgico, a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Essa festa foi instituída pelo Papa Pio XI, em 11 de Dezembro de 1925, com a Carta Encíclica Quas Primas. Colocada no fim do ano litúrgico, essa solenidade é uma síntese dos mistérios de Cristo comemorados no curso do ano, como o vértice em que resplandece com a mais intensa luz a figura do Senhor e Salvador de todas as coisas.

A Festa de Cristo Rei surge no início do século XX, num mundo que estava se recuperando da Primeira Guerra Mundial, e no início do fascismo na Itália, o nazismo na Alemanha e o comunismo na Rússia. É neste contexto que o Papa Pio XI institui essa festa para celebrar uma verdade de nossa fé: Jesus Cristo. Nosso Senhor continua a reinar sobre toda a humanidade.

Essa festa nos recorda que todas as coisas culminam em Cristo. Ele é “o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim de todas as coisas” (Ap 1,8). Em sua Carta Encíclica, sua Santidade exorta a todos os líderes das nações, para que reconheçam o devido respeito e obediência a Nosso Senhor Jesus Cristo (Quas Primas, 31). Que todos os fieis, com esta solenidade, retomem coragem e força e renovem sua submissão a Nosso Senhor, fazendo com que Ele reine em seus corações, suas mentes, suas vontades e seus corpos (Quas Primas, 33).

Na liturgia própria para esta festa, temos como tema central: Deus reina amando. Na trajetória bíblica do Antigo Testamento, Deus se apresenta em ação reinando, isto é, salvando, justificando, perdoando, criando. “Deus reina” e reinando, salva. Ao salvar, Ele justifica, perdoa. Só Deus pode criar e com isso, podemos afirmar que Deus reina ao criar, perdoar e justificar. No Novo Testamento, a expressão “Deus reina” é apresentada por Jesus como “Reino de Deus”. Nesse Reino, o Filho do Homem se manifesta ao mundo como “Aquele que nos ama” (Ap 1,5). Seu domínio é de amor. (Ap 1,8). Contempla a primeira leitura da profecia de Daniel (7, 13-14), seu aparecimento nas “nuvens do céu” (13), fórmula tradicional que indica a volta gloriosa de Cristo no fim dos tempos para julgar o mundo. “Todo o poder lhe foi dado, toda a glória e império. Todos os povos, nações e línguas o servirão. Seu poder é eterno. Seu reino não terá fim” (14). Deus – “o Ancião” (ibidem, 13) – o constituiu Senhor de toda a criação, conferindo-lhe um poder que ultrapassa os confins do tempo. Na segunda leitura (Ap 1,5-8), diz o Senhor Deus, que Ele é, que era e que vem, o Onipotente (8). Cristo, Verbo encarnado, é aquele que vem para salvar os homens, princípio e fim de toda redenção e que um dia virá para julgar o mundo. Ei-lo que vem entre as nuvens e todos os olhos o verão, também os que O traspassaram (7).

O Evangelho (Jo 18,33b-37) também apresenta a realeza de Cristo em relação com sua Paixão e a contrapõe, ao mesmo tempo, às realezas terrenas. Tudo isto, baseado no colóquio entre Jesus e Pilatos. Todavia, o “meu Reino não é deste mundo” (36). O Evangelho de João nos mostra que Jesus, durante a sua vida pública, fez o possível para não ser chamado de rei (cf. Jo 6, 15) Agora, diante do abandono dos seus discípulos e do ultraje da cruz, ele manifesta o seu reinado. Na Cruz se manifesta o reinado do amor. (Jo 12, 27-28). A visão de Cristo Rei se dá na perspectiva do Crucificado, recordando seu imenso amor: “Ama-nos, e nos libertou dos nossos pecados em virtude do seu Sangue” (5). “Fez de nós um reino de sacerdotes para Deus, seu Pai” (6). Até este ponto quis Cristo Senhor que participassem os homens de suas grandezas!

A realeza de Cristo não está em função de domínio temporal, nem político! Da Cruz atrairá tudo a si. (Jo 12,32). Na realidade, é a Cruz o trono régio de Cristo. Da Cruz abre os braços para apertar a si todos os homens, da Cruz governa com seu amor. Desde o alto da cruz, guia a sua Igreja em meio às tribulações. Cristo é nosso Rei, mas um Rei que serve, que está de braços abertos, que está atento aos anseios e inquietações humanos, que julga segundo os critérios do amor, da justiça, da equidade.

O Reinado de Cristo não se realizará por um triunfo histórico da Igreja. Isto nos recorda o Catecismo da Igreja Católica: “A Igreja não entrará na glória do Reino senão através dessa última Páscoa, em que seguirá o Senhor na sua morte e ressurreição. O Reino não se consumará, pois, por um triunfo histórico da Igreja segundo um progresso ascendente, mas por uma vitória de Deus sobre o último desencadear do mal, que fará descer do céu a sua Esposa. O triunfo de Deus sobre a revolta do mal tomará a forma de Juízo final, após o último abalo cósmico deste mundo passageiro.” (CIC677) A Igreja, Esposa do Cordeiro, deve seguir o caminho do Esposo. O vermelho do manto do Cristo assinala sua realeza, nos recorda o sangue de tantos mártires e nos convida a entregar nossa vida pela causa do Reino.

Para que reine sobre nós, temos de nos deixar atrair e vencer pelo seu amor. A Ele pedimos: Vem! Ilumina com a Tua Luz as trevas do nosso coração. Reina sobre nós. Faz-nos sempre à tua Imagem.

Murilo Guesser
Seminarista da Arquidiocese de Florianópolis