“É olhar que vê Deus presente no mundo, embora a muitos passe despercebido; é voz que diz: ‘Deus basta, o resto passa’; é louvor que brota apesar de tudo” (Papa Francisco)

Pe. Sérgio

No terceiro domingo do mês vocacional, a Igreja celebra a vocação à vida religiosa (ou consagrada). A vida religiosa é constituída por homens e mulheres que se consagram e vivem os conselhos evangélicos (votos) de pobreza, obediência e castidade, dedicando suas vidas integralmente ao serviço da Igreja e da humanidade, fazendo com que pelo próprio testemunho de vida, possam mostrar a alegria da fé a todos os homens e mulheres de cada época.

Esses homens e mulheres consagrados à vida religiosa são conhecidos como religiosos, religiosas, irmãos, irmãs, freis, freiras, frades, monges e monjas. Fazem parte de congregações, ordens, sociedades, institutos. O testemunho deles se reflete com força e serviço nas atividades contemplativas (mosteiros) e/ou pastorais das paróquias e dioceses, como também em escolas, hospitais, serviços de saúde e obras sociais.

Quando falamos de vida religiosa surgem várias dúvidas entre os fiéis. Entre elas, duas chamam a atenção: a) Qual a distinção entre padre diocesano e religioso? b) Qual a diferença entre irmã e freira?

Primeiro é importante frisar que não existe diferença entre padre diocesano e religioso em relação ao Sacramento da Ordem, ambos receberam o mesmo. Algumas diferenças: área de atuação, subordinação e vida comunitária. O padre religioso pertence a um instituto (congregação ou ordem) e vive o carisma e a espiritualidade conforme o fundador (Como exemplo, os Dehonianos, Salesianos, Jesuítas, Redentoristas e outros.), tendo um superior a quem deve obediência. O padre religioso não mora sozinho, pois ele é chamado a viver, trabalhar e rezar em comunidade.

O padre diocesano pertence à diocese e nela está incardinado para, em comunhão com o seu bispo, pastorear o povo daquela diocese. Embora o território da missão do padre religioso é mais amplo que uma diocese, visto estar a serviço da sua ordem ou congregação, ele deve manter comunhão com o bispo onde estiver atuando. Os padres diocesanos normalmente moram sozinhos, podendo residir mais padres em uma comunidade.

Com relação à diferença entre irmã e  freira é simples. Freira é o feminino de frei que significa irmão. Logo, a palavra freira é o mesmo que irmã. Irmã ou freira é o titulo que se dá à mulher que se consagra totalmente a Deus na vida religiosa.

Neste mês reze e divulgue a vida religiosa consagrada para que o Senhor suscite mais vocações. Que a exemplo de Maria, os religiosos (as) possam doar sua vida com alegria e disponibilidade à Igreja de Cristo.

Por Pe. Sérgio Luis da Costa, scj
Vigário da Paróquia São Cristóvão
Cordeiros / Itajaí

Testemunhos de consagração

Conforme o costume da Igreja no Brasil, o mês de agosto é dedicado à oração, reflexão e ação nas comunidades, sobre o tema das vocações. Este ano, em específico, o tema está em sintonia com o 4º Congresso Vocacional do Brasil, que será realizado de 5 a 8 de setembro, no Centro de Eventos do Santuário Nacional Nossa Senhora de Aparecida, em Aparecida (SP). Com o tema “Vocação e Discernimento”, pretende-se refletir sobre a necessidade da oração em prol das vocações e, acima de tudo, expandir a temática para todos os âmbitos eclesiais e sociais. E você já rezou pelas vocações hoje? Você já rezou pela sua vocação? Sabe qual é a sua vocação? Neste mês, o Jornal da Arquidiocese resolveu apresentar uma pouco da história de três religiosos que atuam na Arquidiocese.

Frei Edimar

Frei Edimar Fernando Moreira
32 anos
Ordem dos Freis Carmelitas
Atua na Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem
Saco dos Limões / Florianópolis

Como era sua vida antes de se tornar religioso?

De quando eu era criança, me recordo de participar em maio, das coroações de Nossa Senhora, dos grupos de Círculos Bíblicos (nosso GBF) e dos grupos de oração da RCC. Quando comecei a trabalhar me envolvi mais com o grupo de jovens da comunidade.

Como foi o seu despertar vocacional?

Certo dia, indo para a escola, no segundo ano do ensino médio, comecei a pensar na graduação que faria futuramente. Eu havia aprendido na Igreja a sempre perguntar a Deus sobre qual seria sua vontade antes de tomar uma decisão. Nesse tempo, veio a mim uma pergunta que ficou martelando por alguns meses: “Será que Deus não quer que eu faça algo a mais?” Nesse ínterim, fui percebendo alguns sinais. Quando me convenci do chamado de Deus, restava saber onde entrar. 

Quais as dicas que você dá para quem está discernindo a vocação?

A primeira dica é a pessoa estar atenta aos sinais de Deus. Geralmente, esses sinais são sutis. “O essencial é invisível aos olhos” (Saint-Exupéry). Por isso é fundamental ter o coração bem aberto para saber o que Deus pede de nós. A segunda dica é buscar sempre depurar as motivações. Não basta eu querer. Deus nunca se engana ao nos chamar, mas nós podemos nos enganar ao escutar. Ninguém traz estampado na testa “tenho vocação”. Essa é uma descoberta que se dá gradativamente e com muita oração. Por fim, é preciso encontrar pessoas que possam ajudar no processo de discernimento. Os orientadores espirituais ou promotores vocacionais são fundamentais para ajudar a descobrir qual a vontade de Deus para sua vida. Vocação acertada, vida feliz! Eu sou feliz como frei carmelita!

Ir. Mariângela

Irmã Mariângela Teresa da Divina
40 anos
Carmelita do Divino Coração de Jesus
Superiora do Carmelo Divino Coração de Jesus
Palhoça

Como era sua vida antes de se tornar religiosa?

Como era sua vida antes de se tornar religiosa?

Sou de uma família numerosa, somos seis filhos, família simples, porém, de valores e práticas cristãs. Em minha juventude gostava de passear de moto, de ir à praia e ao shopping. Até minha ida para o Carmelo trabalhei em uma padaria e participava da RCC em minha cidade, Taubaté (SP).

Como foi o seu despertar vocacional?

Foi no grupo de oração da minha comunidade, que aos poucos fui sentindo o desejo de conhecer a vida religiosa. Um padre me apresentou Santa Teresinha do Menino Jesus, e foi meu primeiro contato com o Carmelo. Em pouco tempo encontrei um grupo de irmãs de nosso Carmelo em um evento, nos conhecemos e no mesmo dia já fui conhecer a casa. Quando entrei pela primeira vez na capela senti meu coração arder e um desejo de permanecer ali, com Jesus. O desejo de permanecer cada vez mais perto de Jesus em oração foi confirmando minha vocação ao Carmelo do Divino Coração de Jesus. Isso é o que sustenta a cada dia minha vocação.

Quais as dicas que você dá para quem está discernindo a vocação?

Jovem, não tenha medo de perguntar ao Senhor o que ele quer de ti e, com ousadia, entregue-se na busca de sua vocação. Deus nos chama e nos sustenta. A vida interior, a Eucaristia e a Palavra são o alimento de cada dia para a perseverança na caminhada. Vocação acertada é a certeza de um futuro feliz!

Padre Claudio Peters, FDP
50 anos
Congregação dos Filhos da Divina Providência – Orionitas
Pároco da Paróquia de São José
São José

Como era sua vida antes de se tornar religioso?

Minha história vocacional é um pouco diferente, pois entrei no seminário muito cedo, aos 11 anos. Antes disso, morava com meus pais na roça. Estudei até a quarta série numa escola a cinco quilômetros de casa e ajudava meus pais na plantação de fumo.

Como foi o seu despertar vocacional?

Meus pais sempre contavam que assim que aprendi a falar eu já dizia que queria ser padre e minhas brincadeiras de criança eram imitar o Pe. José, nosso pároco na época. Inclusive, rezava missas no banquinho  de lavar os pés, usado como altar, e banana em fatias, como hóstias. Quando entrei na escola, sempre repetia que seria padre e na quinta série já entrei no seminário Orionita de Siderópolis. Não sabia o que era ser religioso e nem tinha ideia de carisma, mas quando fui descobrindo, percebi que estava no lugar certo.

Quais as dicas que você dá para quem está discernindo a vocação?

Vocação é sempre chamado de Deus desde o ventre materno, mesmo que descubramos mais tarde. Se você se sentir chamado a ser religioso, para imitar Cristo casto, pobre e obediente, deve procurar a congregação que lhe chama atenção ou que lhe vem ao coração, pois o chamado é único e Deus já tinha preparado para você. Conhecer a congregação, seu carisma e fazer experiências vocacionais é o melhor caminho!

Curiosidade

Instituído em 1981, pela CNBB, em sua 19ª Assembleia Geral, o mês vocacional tem como objetivo principal conscientizar as comunidades da responsabilidade que compartilham no processo vocacional. De lá para cá, todos os anos alguma temática tem sido trabalhada. Mais sobre vocação, acesse o site: vocacoes.org.

Programação do Mês Vocacional

As paróquias da Arquidiocese têm buscado celebrar este mês com animação e criatividade, tendo sempre por fim suscitar novas vocações. Durante o mês, cada domingo é reservado para a reflexão e celebração de uma determinada vocação.

As paróquias da Arquidiocese celebram este mês com animação e criatividade, tendo sempre por fim suscitar novas vocações. Durante o mês, cada domingo é reservado para a reflexão e celebração de uma determinada vocação.

Primeiro domingo – Vocações Sacerdotais – Dia do Padre
Segundo domingo – Vocação Familiar – Dia dos Pais
Terceiro domingo – Vocações Religiosas – Dia da Vida Religiosa
Quarto domingo – Vocações Leigas – Dia dos Ministérios Leigos

Você sabia?

O Arcebispo de Florianópolis, Dom Wilson Tadeu Jönck, scj, é da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus (SCJ). Como essa congregação foi fundada pelo Pe. Leão Dehon, seus membros também conhecido como dehonianos.


Seu endereço de email não será publicado. Os campos marcados com * são obrigatórios

*