O presidente do Regional Sul 4 da CNBB, Dom João Francisco Salm, fala sobre a Conferência em âmbito nacional e catarinense

Florianópolis, 2 de janeiro de 1970. Presenças da esquerda para a direita: Padre Osmar Pedro Müller, Padre Luiz Colussi, Dom Afonso Niehues, Dom Jaime de Barros Câmara e Dom Alfio Rapisarda

Neste mês em que ocorre a 57ª Assembleia Geral (AG) dos bispos em Aparecida, você conhece um pouco mais de perto a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), criada em outubro de 1952. E também, o Regional Sul 4 da CNBB, do qual a Arquidiocese faz parte.

Dos 18 núcleos da Conferência, conhecidos como Regionais e distribuídos pelo Brasil, as dez dioceses de Santa Catarina fazem parte do Regional Sul 4, que tem a sede localizada no prédio da Fundação Dom Jaime de Barros Câmara, no bairro do Pantanal, em Florianópolis.

A ideia da criação de um Regional próprio para o estado partiu do então Arcebispo de Florianópolis, Dom Afonso Niehues, durante o 1º Encontro do Episcopado de Santa Catarina, em 18 de março de 1969. Os bispos presentes no encontro aprovam a iniciativa e enviam uma solicitação para que a CNBB aprove a criação do Regional ainda naquele ano. O pedido é apreciado pela Comissão Central da CNBB e, em 28 de setembro de 1969, envia o decreto de nomeação do novo regional como “CNBB Regional Sul 4”.

Durante a Assembleia do Regional Sul 3 da CNBB (Rio Grande do Sul e Santa Catarina) realizada em Lages, em novembro daquele mesmo ano, são dados os primeiros passos práticos para a criação do novo Regional.  E no primeiro dia útil de 1970 acontece a instalação da CNBB Regional Sul 4, do qual Dom Afonso é eleito o primeiro presidente.

Dom João Francisco Salm | Foto: CNBB Regional Sul 4

O Jornal da Arquidiocese conversou com o presidente do Regional Sul 4 e Bispo da Diocese de Tubarão, Dom João Francisco Salm, que abordou aspectos da CNBB e do Regional. Acompanhe.

Jornal da Arquidiocese (JA): Fale-nos sobre a fundação e missão da CNBB.

Dom João Francisco Salm: Como assistente geral da Ação Católica Brasileira, Dom Helder Câmara recebeu a missão de criar o Secretariado Nacional da Ação Católica. Este Secretariado começou a promover Encontros Regionais de Bispos: com os da Amazônia e com os do Vale do São Francisco, por exemplo. Surgia assim o embrião ou o projeto da CNBB. O próprio Dom Helder escreveu mais tarde: “Em um país de dimensões continentais, impunha-se um secretariado que ajudasse os bispos a equacionar com segurança os problemas locais, regionais e nacionais, em face dos quais a Igreja não pode ser indiferente”. A comunhão episcopal, o espírito fraterno e solidário são indispensáveis à missão. A CNBB é a terceira conferência de bispos criada no mundo, em 14 de outubro 1952, dez anos antes do Concílio Vaticano II.

JA: Qual a importância da CNBB?

Dom Salm: É difícil imaginar a Igreja Católica no Brasil, sem a Conferência Nacional dos seus Bispos. Já são mais de 50 anos de solidariedade, de ajuda recíproca, de empenho sinodal, de cultivo da colegialidade e de participação e protagonismo em causas sociais.

JA: O que fazer para aproximar mais o católico da CNBB?

Dom Salm: Quem conhece a CNBB e o que ela faz, fica impressionado e bendiz a Deus. Portanto, informação e conhecimento é a melhor forma de aproximar e passar a amar de verdade. Ao lado de elogios à CNBB, ouvem-se críticas, o que é natural. Mas, grande parte delas revela desconhecimento.

JA: Em relação ao Regional Sul 4, qual o campo de atuação?

Dom Salm: O Regional promove a aplicação das orientações que vêm da Santa Sé e da CNBB, tendo em vista a comunhão eclesial e a corresponsabilidade na ação evangelizadora. Tudo isso tem reflexo imediato na vida do fiel católico, sobretudo através dos Bispos e das Coordenações Diocesanas de Pastoral. Como seria difícil a missão dos Bispos Diocesanos se estivessem entregues à própria sorte, fechados em suas circunscrições eclesiásticas. Essa entreajuda é uma bênção.

JA: Como a Conferência está estruturada em nível nacional e regional?

Dom Salm: Além da Matriz, situada em Brasília, há 18 núcleos, conhecidos como Regionais. Nós, em Santa Catarina, somos o Regional Sul 4. A Conferência realiza anualmente a Assembleia Geral, seu órgão supremo. Órgãos constitutivos são o Conselho Permanente, a Presidência, o Conselho Episcopal de Pastoral, o Secretariado Geral, os Conselhos Episcopais Regionais, as Comissões Episcopais estáveis constituídas pela Assembleia Geral, o Conselho Econômico e o Conselho Fiscal. Em âmbito do Regional, os órgãos constitutivos são o Conselho Episcopal Regional (CONSER), a Presidência, a Comissão Episcopal de Pastoral (CEP), o Secretariado Executivo Regional, o Conselho Econômico e o Conselho Fiscal.

JA: Que avanços foram feitos, quais as conquistas dos quase 50 anos do Regional Sul 4?

Dom Salm: Com a criação do Regional, as atenções dos Bispos e dos agentes de pastoral puderam voltar-se mais especificamente para as dioceses catarinenses. Isso fomentou a comunhão, que é o objetivo primordial da CNBB, a cooperação, a mútua edificação com inúmeros frutos para o nosso povo. É de se destacar a atividade formativa por meio de Escolas, Seminários, Fóruns, Encontros, Reuniões e, neste contexto, a criação do Instituto Teológico de Santa Catarina, a atual FACASC. De grande importância foram e são os Conselhos e as Assembleias de Pastoral.

JA: Quais os eventos deste ano mais importantes do Regional Sul 4?

Dom Salm: Para o Regional, tem grande importância e trará consequências a Assembleia Geral deste ano: serão aprovadas as Novas Diretrizes Nacionais e haverá eleições gerais. Teremos novos ocupantes dos cargos nas Presidências da CNBB nacional, nos Regionais e nas Comissões Pastorais. Em nosso Regional, além das muitas atividades previstas em nosso Anuário, neste ano continuam os trabalhos na elaboração das nossas Novas Diretrizes. Certamente merece destaque a Romaria da Terra e das Águas, no dia 15 de setembro, na Diocese de Lages

Para você, leitor do Jornal da Arquidiocese, o que significa a CNBB?

Diácono Wilson | Foto: Pe. Adilson Machado

Diácono Wilson Fábio de Castro, 74 anos, professor aposentado, Paróquia Nossa Senhora do Rosário, São José

“A CNBB significa para mim a instância máxima da Igreja Católica Apostólica Romana no Brasil. Assim como, em nível de Comunidade e de Paróquia, nós devemos reconhecer os Conselhos respectivos, CPC e CPP, a CNBB deve ser reconhecida por nós como o organismo que reúne os Bispos para exercerem conjuntamente todas as funções em favor dos fiéis do seu território, no caso o brasileiro, conforme determina o Código de Direito Canônico.

Por meio da CNBB, devemos crer que todos os nossos Bispos devem, cada vez mais, se aprofundar em comunhão uns com outros. Deve, a CNBB, sempre promover uma pastoral orgânica em favor do povo fiel, e não duvidemos disso, indo aos interesses dos mais necessitados, prevalecendo a opção preferencial pelos pobres, já preconizada pelos Documentos de Medellín e Puebla, perpassando pelo de Santo Domingo, e fortalecida pelo Documento de Aparecida. A minha credibilidade, ainda, na CNBB, está em sua autoridade, em aprovar e editar tantos outros documentos, colocando-os nas mãos de nossos fiéis, tornando uma Igreja cada vez mais profética e missionária. Confio na CNBB”.

Maria Glória | Foto: Carol Denardi

Maria Glória da Silva, 55 anos, coordenadora arquidiocesana dos Grupos Bíblicos em Família

“Eu vejo a CNBB como um espaço que pensa, estuda, reflete, decide e orienta a vida da Igreja. Também sei que os bispos têm uma grande responsabilidade nesse momento quando se reúnem com teólogos leigos e presbíteros, pois tudo que acontece no campo eclesial da Igreja e na sociedade civil chega na CNBB.

Sei que é um turbilhão de situações e conflitos levantados, que exige deles uma resposta, para que a Igreja tenha uma posição em favor da justiça.  Mas também sei que chegam coisas boas que alegram e dão vigor à vida da Igreja, e isso ajuda muito a presidência, o secretário executivo, os membros das comissões e do Consep, a respirarem melhor. Isso contribui, fortalece e equilibra as decisões e responsabilidades a serem tomadas.

Vejo que a CNBB ouve a voz do Papa Francisco e vive essa comunhão e unidade. Eu particularmente digo que o presidente e o secretário da CNBB devem ser Bispos que sejam sensíveis às dores e às injustiças, às alegrias e às conquistas do povo, que tenham olhos e ouvidos abertos para ver e ouvir seus clamores e angústias, tanto em âmbito eclesial como no sócio-político e cultural.

Rezo por eles, porque sei que enfrentam alguns desafios e, muitas vezes, nós, o povo, os pressionamos a darem respostas e até soluções. 

Deus os ilumine e lhes dê sabedoria e graça nos momentos de decisão e posicionamento”.

Matéria publicada no Jornal da Arquidiocese, nº 256, edição de maio de 2019

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