Foto: Fabíola Goulart

O Concílio Vaticano II colocou a Bíblia nas mãos dos leigos. A partir daí surgiram os estudos bíblicos nas paróquias, na catequese, nos diversos grupos de reflexão, nas pastorais e nos movimentos de evangelização.

A Igreja no Brasil teve a feliz iniciativa de, no ano de 1971, determinar que o mês de setembro fosse declarado como o “Mês da Bíblia”. O livro escolhido para 2019 foi a 1ª Carta de João com o tema – “Para que n’ele nossos povos tenham vida” e o lema – “Nós amamos porque Deus primeiro nos amou”.

A Palavra de Deus provoca mudanças em nossa vida, nos tira da zona de conforto e nos envia como agentes de transformação social em uma luta contínua para que o Reino de Deus aconteça e se torne realidade entre nós.

Tendo sido amados por Deus, somos convidados a retribuir com amor. Isto se manifesta quando nos empenhamos para que nossos irmãos tenham vida em plenitude, de acordo com o projeto de Deus. Na medida em que nos deixarmos envolver pelo plano amoroso de Deus, não nos faltará o necessário para sermos instrumentos na luta para que “os povos tenham vida”.

Quando estudamos um texto bíblico são necessários três passos: 1º:  exegético – colocar o texto no contexto da época em que foi redigido. 2º: vital – relacionar o texto com a vida da comunidade e 3º: mistagógico – suscitar uma atitude de fé a partir do texto em estudo.

A oração é de fundamental importância para todos nós. O próprio Jesus sentia a necessidade de estar a sós com o Pai para escutá-lo. A melhor forma para escutarmos o que Deus nos quer falar é a prática diária da Leitura Orante (Lectio Divina). Escutar para melhor servir. A lectio é um método que nos ensina a rezar e nos leva a praticar atos que estejam de acordo com a Palavra de Deus e produzirmos frutos de boas obras. É um instrumento necessário para que identifiquemos, na Sagrada Escritura, a boa notícia que esta nos traz. Com a Leitura Orante, podemos “saborear” a Palavra e não apenas escutá-la. Esta prática nos leva a confrontar o texto sagrado com a nossa vida e a tomarmos posições com relação ao que precisa ser mudado.   

Para viver intensamente este Mês da Bíblia, faz-se necessário cultivar uma profunda amizade com a Palavra. Ter tempo para a meditação pessoal, conversar com o texto sagrado.

A Igreja nos motiva a participar dos grupos bíblicos em família existentes nas Paróquias. E ler a Palavra em comunidade é importante, pois é na comunidade que Deus se revela.

O tempo em que vivemos exige dos cristãos testemunhos de autenticidade. Não podemos brincar de faz de conta. As forças contrárias ao Evangelho atuam com verdadeiras avalanches destruindo tudo o que foi plantado.

Na 1ª carta de João percebemos que as primeiras comunidades cristãs fundamentavam a sua fé na experiência da ressurreição. Fazer a experiência do ressuscitado é o necessário para que descubramos que devemos amar porque “Deus primeiro nos amou”. Que a Palavra de Deus nos anime e nos dê força e coragem para que sejamos cristãos alegres e apóstolos da esperança.

Por Pe. João B. Assunção
Capelão do Hosp. Marieta Konder Bornhausen
Vigário da Paróquia São João Batista – Itajaí

Diante desta reflexão do Pe. João Assunção sobre a Palavra de Deus, o Jornal da Arquidiocese foi às ruas para conversar com os fiéis e fez a seguinte pergunta: Partindo do lema do Mês da Bíblia – “Nós amamos porque Deus primeiro nos amou” (1Jo 4,19) – , como você expressa seu amor ao próximo, seja a um conhecido ou a um estranho?

Paróquia São Sebastião, Ariribá
Balneário Camboriú

Cid Kadomoto, 54 anos, corretor de imóveis, Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão na Paróquia e pregador da Renovação Carismática Católica (RCC):

“Uma maneira de expressar o amor ao próximo é orar por ele, interceder pelas necessidades dos irmãos. Para isso se faz necessário parar, dar atenção e ouvir as pessoas. Assim conheceremos a história, as dores e as carências dos irmãos. Orar, desejar o bem, orientar e ajudar o próximo. Essa ajuda precisa ser a mais ampla possível: espiritual, emocional, física e material.

Uma outra expressão de amor ao próximo é através do perdão. Essa exige mais trabalho. Perdoar e amar àqueles que nos ferem é tarefa para quem deseja o céu. É tarefa para quem almeja a eternidade junto ao Senhor Jesus. Amar quem nos persegue, amar quem nos amaldiçoa, amar quem nos prejudica. Somente com a ajuda do Espírito Santo isso é possível.

Anunciar corajosamente a Palavra de Deus é uma belíssima expressão de amor: amor a Deus e amor aos irmãos.

Deus primeiro nos amou e Jesus deu a vida por nós quando ainda éramos pecadores. Façamos igual ao Senhor!”

Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição
Angelina

Maria Helena Koester Westphal, 63 anos, aposentada, catequista da Comunidade Imaculado Coração de Maria:

“Você me ama? Você se conhece? Amarás teu próximo como a ti mesmo. Você é importante para Deus!  Amar ao próximo é o segundo maior mandamento. Jesus é o modelo e a origem do nosso amor e, com a força do seu Espírito, nos capacita para amar nossos irmãos como ele nos amou e se entregou por cada um de nós. Eu não posso amar ao próximo se não me amar primeiro. E através deste amor eu consigo dar atenção ao estranho, ao peregrino, acolher com alegria e ajudar no que for preciso. Seja com um abraço, um sorriso e, muitas vezes, é isto que eles precisam. O amor é a força que nos une uns aos outros. Amenos uns aos outros, como Deus nos amou primeiro.”

Paróquia Senhor Bom Jesus dos Aflitos
Porto Belo 

Matheus Gabriel Paulo, 24 anos, relações públicas, coordenador paroquial de liturgia:

“Expressar o amor ao próximo no mundo atual é uma urgência, é preciso ir ao encontro do outro, das pessoas que precisam de uma ajuda, uma palavra ou até mesmo de um simples gesto. Olhar com misericórdia por aquelas pessoas que muitas vezes sofrem no silêncio e buscam uma ajuda. Isso é expressar o amor. É preciso se colocar a serviço do outro, dessa forma, é uma oportunidade de doar o nosso tempo e os dons que recebemos de Deus. Colaborar com causas importantes que precisam da nossa colaboração é expressar o amor ao próximo.  Doar-se é manifestar o verdadeiro amor daquele que nos amou primeiro e se entregou por todos nós na cruz. Que esse exemplo seja seguido e também propagado cada vez mais, pois somente dessa forma construímos uma sociedade, uma Igreja, um mundo onde o amor, a doação, a caridade esteja cada vez mais presente.”

Paróquia São Joaquim
Garopaba

Antônio Júlio Sausen, 66 anos, aposentado, coordenador paroquial do Grupo Bíblico em Família (GBF):

“Através dos encontros dos Grupos Bíblicos em Família (GBF) posso, junto com meus irmãos, lendo a Palavra, partilhando os ensinamentos que ela nos traz, fortalecer a minha fé. E assim partir para a prática, como fazer visitas às pessoas idosas e doentes, participar nas diversas atividades pastorais da Igreja, ajudar nas necessidades materiais das pessoas ou famílias mais carentes, envolvendo-me na busca de alimentos, roupas e até outros bens de consumo ou duráveis, de acordo com a situação que se apresenta. Como ainda, participar nas discussões das audiências públicas, nas conferências municipais, sugerindo meios para melhor utilização dos recursos públicos. Todo este envolvimento e relacionamento com as pessoas é muito gratificante. Com isso, sinto-me abençoado por Deus, mas também, gera sentimentos de impotência diante de algumas situações mais difíceis em relação aos moradores de rua e aos drogados. Por enquanto, paro com eles para conversarmos e dizer que Deus os ama e quer o seu bem. Mesmo na situação em que se encontram, busquem na Palavra e na oração a força que precisam para saírem desta situação.”


Texto publicado na edição de setembro de 2019 do Jornal da Arquidiocese, páginas 6 e 7.

1 Comentários, RSS

  • Maria Cecilia

    diz em:
    12 de setembro de 2019 às 23:09

    Pelo que acabei de ler só reforça a importância de uma convocação geral para uma transformação na maneira de agir das pessoas que realmente sabem da urgência na Evangelização no mundo atual!
    Tudo deve começar por cada um de nós , cristãos engajados!

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