Padre Alcides Albony Amaral | Foto: Mateus Peixer

Viver a vida cristã é a principal resposta ao primeiro chamado que o Senhor nos faz. É a base de todas as vocações.  Somos chamados ao essencial: ser discípulos de Cristo e pertencer à sua Igreja. Somos todos irmãos e irmãs, somos um único corpo. O Senhor nos convida: “Segue-me”, e respondemos: “Eis-me aqui”.

No início da década de 80, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propôs um ano de intensa Ação Pastoral Vocacional. Foi assim que agosto foi escolhido como o mês vocacional, pelo motivo de que no dia 04 de agosto celebra-se São João Maria Vianney, patrono dos párocos.

Assim, em cada domingo de agosto é celebrada uma vocação:

  • No primeiro domingo celebramos a vocação sacerdotal, os ministérios ordenados, que é vivida pelos Diáconos (10 de agosto – Dia São Lourenço), Padres e Bispos.
  • No segundo domingo, junto com o Dia dos Pais, celebramos a vocação ao matrimônio e iniciamos a Semana Nacional da Família, vivenciada em todas as paróquias. A família é o tesouro da comunidade. O pai e a mãe com os filhos vivem e testemunham a fé primeiramente no ambiente familiar, a Igreja doméstica.
  • No terceiro domingo, a atenção se volta para a vocação religiosa, marcada pela celebração da Assunção de Nossa Senhora (15 de agosto). Trata-se de homens e mulheres que consagraram suas vidas a Deus e ao próximo. Vivem os conselhos evangélicos da pobreza, castidade e obediência.
  • No quarto domingo é celebrada a vocação leiga, acentuando o Dia do Catequista.

Os cristãos leigos e leigas receberam pelo Batismo a luz de Cristo para serem suas testemunhas. “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,14), disse Jesus. Os leigos atuam em várias frentes nas comunidades e no meio da sociedade. Quando há o quinto domingo, o Dia do Catequista passa para esse dia. Os catequistas falam e agem em nome da Igreja. E em sua vocação têm a missão de conduzir crianças, jovens e adultos ao mistério de Cristo, conduzindo as pessoas, através do processo de Iniciação à Vida Cristã, a um encontro pessoal com Jesus, que as transforma.

Neste mês, portanto, somos chamados a renovar a vivência do “Vinde e Vede” (Jo 1,46), a permanecer com o Senhor e, na sequência, sermos enviados a produzir frutos. “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e produzirdes fruto e para que vosso fruto permaneça” (Jo 15,16).

Por Pe. Alcides Albony Amaral
Pároco da Paróquia Santo Antônio, em Campinas, São José

DISCERNIMENTO VOCACIONAL

O reitor do Seminário Teológico Convívio Emaús, Pe. Vânio da Silva, bateu um papo com o Jornal da Arquidiocese sobre os quatro passos para ajudar no discernimento vocacional.

  1. Rezar: cultivar a vida de oração pessoal e comunitária;
  2. Participar ativamente da comunidade, envolvendo-se nos serviços e atividades do apostolado.Deixar-se acompanhar por uma pessoa mais experiente na fé e no caminho vocacional;
  3. Este acompanhamento vocacional e espiritual pode ser feito com um padre, uma religiosa, um casal com caminhada na Igreja ou um animador vocacional;
  4. Prestar muita atenção aos pequenos sinais que Deus dá no dia a dia.

Vocação para a vida toda

Nesta edição, o Jornal da Arquidiocese buscou para você testemunhos de vocações celebradas em cada um dos domingos deste Mês Vocacional. Na partilha dos irmãos, temos a certeza de que o chamado de Deus é soberano e leva à felicidade eterna.

Foto: Ellinton Souza

Padre Dyego Delfino, 26, vigário paroquial da Paróquia São Joaquim, em Garopaba
“O encontro com o chamado que Deus me fez aconteceu por meio das muitas pessoas que ele colocou em minha vida. Pessoas que foram sinal da presença de Deus e que me ajudaram a dar o meu sim dia a dia. Acredito que vocação é isso: não é algo para si próprio, mas que serve para o bem de um povo. Esse povo que me ajudou muito a perceber o chamado de Deus. A felicidade, a realização do meu ministério se dá também por isso, por esse contato com o povo. Poder ajudá-lo de diversas maneiras, ser sinal de Cristo na vida de cada um. Isso me deixa muito realizado”.

Foto: Maria Luiza Fritzen

Edenir Bastos Fritzen, 68, catequista na Paróquia Senhor Bom Jesus, em Major Gercino
“No ano de 1968 vim para Major Gercino como professora. Naquela época, quem preparava as crianças para a Primeira Eucaristia eram os professores da terceira e quarta séries. Foi desta maneira que iniciei a missão de ser catequista e não parei mais. Me alegro sempre quando encontro e acolho os catequizandos. Ser acolhida por eles também me deixa feliz, sejam crianças ou adultos. Levá-los a conhecer, amar e seguir a Jesus Cristo me faz muito feliz e realizada”.

Foto: arquivo pessoal

Padre Vânio, 38, reitor do Seminário Teológico Convívio Emaús, em Florianópolis
“O meu despertar vocacional veio quando os missionários redentoristas estiveram em missão em Camboriú. Ao final da penúltima missa da missão, um dos missionários disse que Jesus ia chamar algum dos meninos naquele local para ser padre. As palavras desse missionário provocaram em mim o despertar vocacional. Depois, esse despertar foi cultivado no grupo de coroinhas, na catequese, no grupo de jovens e na intensa participação na vida paroquial.

Como padre, sou mais feliz do que imaginava que seria. Me alegra muito viver com tantas pessoas boas, de encontrar tanta gente que se doa pela Igreja, alegria de estudar, meditar e rezar, alegria de pregar a Palavra de Deus, celebrar a Eucaristia, perdoar as pessoas no Sacramento da Confissão, alegria de viver para os outros”.

Foto: arquivo pessoal

Altaide da Silva, 50, motorista escolar e Carla Geovana Schmitz da Silva, 47, professora
“Sentimos que o matrimônio era nossa vocação durante o nosso namoro. Foi surgindo o desejo de ficarmos juntos e formar uma família. Independente das dificuldades, hoje nós somos muito felizes e realizados, pois temos um Deus que nos ama, providenciando em todas as nossas necessidades, confiando a nós nossos filhos.

Temos um ao outro, amando-nos, doando-nos, amadurecendo na fé, na esperança e na caridade com alegria. Para isto, é preciso buscar a vida de comunidade, os sacramentos, a palavra, oração, o terço diário e a missa”.

Foto: arquivo pessoal

Irmã Maria Auxiliadora Guedes, 58, do Instituto Nossa Senhora do Bom Conselho
“Venho de uma família católica. Meus pais eram muito participativos na Igreja. O encontro da minha vocação aconteceu quando estudava no primeiro grau. Madre Bernadete, do Instituto de Nossa Senhora do Bom Conselho, foi visitar nossa turma e falou sobre o dom da vocação. No final, ela fez o convite aos jovens que tinham desejo de servir a Deus. Fiquei muito feliz e logo procurei as irmãs e mostrei meu desejo de ser freira.

Minha alegria está em fazer a vontade de Deus, a exemplo de Jesus, que foi pobre, casto e obediente. Sinto-me realizada quando sirvo a Igreja, sendo fiel a tudo o que ela ensina. Sou feliz por ter sempre Maria, a mãe de Jesus, como modelo perfeito de consagração”.

Matéria publicada no Jornal da Arquidiocese, páginas 06 e 07, edição de agosto de 2017

Seu endereço de email não será publicado. Os campos marcados com * são obrigatórios

*