Neste mês de agosto, no dia 24, a Igreja celebra a festa litúrgica de um grande santo: São Bartolomeu, apóstolo de Cristo. O seu nome é um patronímico, pois é formulado com uma referência explícita ao nome do pai: de cunho aramaico, Bar Talmay, que significa “filho de Talmay”. Historicamente, não se encontram notícias muito relevantes sobre Bartolomeu. Aparece sempre e apenas no âmbito das listas dos Doze.  A Tradição o identifica com Natanael que provinha de Caná (cf. Jo 21,2), levando a pensar que foi testemunha do “sinal” de Jesus naquele lugar (cf. Jo 2,1-11).

O próprio Jesus deu testemunho dele ao dizer: “Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade” (Jo 1,47).  Nesse episódio, o olhar de Jesus o penetrou de forma profunda, de modo que o levou à confiança naquele que, a partir de então, seria o seu mestre. Assim manifestou o seu grande ato de fé: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o rei de Israel” (Jo 1, 49), aderindo à pessoa de Jesus, tornando-se um grande seguidor do Senhor. Quem apresentou Jesus a Natanael foi o apóstolo Filipe que representa aqui todas as pessoas que também nos apresentaram a Jesus algum dia. Da atividade apostólica de Bartolomeu-Natanael não se sabe muito.

O historiador Eusébio, do século IV, afirma que se encontram sinais da presença de Bartolomeu até na Índia e a Tradição medieval ensina que sua morte aconteceu por esfolamento e decapitação.

À título de curiosidade, São Bartolomeu é considerado padroeiro dos alfaiates e dos canhotos, já que a tradição popular acredita ser ele o único apóstolo canhoto.

Mesmo sem muitas informações, São Bartolomeu nos deixa o legado da adesão a Jesus que pode ser vivida e testemunhada nos dias de hoje, cumprindo com a vontade do Senhor, levando o seu Evangelho a todos os povos e lugares, especialmente aos mais próximos. Somos chamados, como Bartolomeu-Natanael, a seguir o mestre Jesus doando a nossa vida. O Papa Bento XVI assim termina uma catequese reservada ao santo: “Podemos dizer que a figura de São Bartolomeu, mesmo sendo escassas as informações sobre ele, permanece diante de nós, para nos dizer que a adesão a Jesus pode ser vivida e testemunhada também sem cumprir obras sensacionais. Extraordinário é e permanece o próprio Jesus, ao qual cada um de nós é chamado a consagrar a própria vida e a própria morte”. (Bento XVI, Audiência Geral, 4 de outubro de 2006, Praça de São Pedro).  

Por Diác. Willian Vogel
Catedral Metropolitana de Florianópolis


Artigo publicado na edição de agosto de 2019, do Jornal da Arquidiocese

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