Homens alcançados pela graça de Deus que fecundam a Igreja

Nesta quarta-feira, 29 de junho, Dia do Papa, celebramos o martírio de Pedro e Paulo, ocorrido no ano 67. Roma é de Pedro e de Paulo, da instituição/governo e do carisma/liberdade espiritual. Não há Pedro sem Paulo, os dois apóstolos vivendo a unidade: Pedro, o apóstolo dos judeus, e Paulo, o apóstolo rejeitado pelo seu povo e consagrado a levar o Evangelho às nações. Pedro sente-se ligado às tradições religiosas de Israel; Paulo é fiel à Lei, mas abre-se à Graça que não pertence a nenhum povo, mas a todos os povos.

De origens diferentes, foram tocados pela graça. Pedro, humilde pescador da Galiléia, cheio de boa vontade, impetuoso, generoso e interesseiro, corajoso e covarde, mas aberto ao olhar misericordioso do Senhor. Sua instrução foi aquela de todo judeu piedoso: a escuta da Palavra de Deus no culto das sinagogas e nas visitas ao Templo de Jerusalém. Paulo vem do mundo culto do Império Romano, da cosmopolita Tarso, cidadão romano, doutor da Lei em Jerusalém.

Galileu, Pedro logo ouviu falar do Nazareno e aceitou o convite ao discipulado; Paulo, ao contrário, vivendo em ambiente culto de Jerusalém nem sequer tinha ouvido falar de Cristo. O que os uniu e transformou foi o amor do Senhor que recorda a Pedro que foi o Pai que está nos céus que revelou-lhe a identidade de Cristo (Mt 16,17); Paulo, perseguidor de cristãos, afirma com gratidão que foi a graça que se dignou revelar nele o Filho de Deus (Gl 1,15-16).

Primeiro rejeitaram o Senhor, para depois amá-lo até a morte. Pedro, o amado que trai o amor e é amado; Paulo, o ódio transformado em amor de discípulo. Pedro, obra da graça; Paulo, obra da graça.

Igreja-carisma e instituição 

“Tu és Pedro e nesta pedra eu irei construir minha Igreja e as portas do inferno nunca hão de vencê-la” (Mt 18,18), afirmamos nós, cristãos, porém sabendo que isso acontece na fidelidade à grande tradição, conforme Paulo ensinou: “Transmiti-vos, em primeiro lugar, o que eu recebi” (1Cor 15,3).

Em Roma, Pedro simboliza a instituição, guarda as chaves, garante a unidade e a fidelidade à tradição, e hoje recebe o nome de Francisco. Francisco é servidor da unidade na caridade, é ícone de Pedro e de Paulo, do carisma e da instituição, purifica as tradições que ocultam a face misericordiosa do Senhor. Pedro e Paulo fecundaram Roma com seu sangue, receberam o prêmio do martírio e ali estão sepultados.

Pedro papa, pai; Paulo, pai, doutor da graça; Francisco papa, pai e irmão.

Por: Pe. José Artulino Besen

Paróquia Nossa Senhora de Fátima e Santa Teresinha do Menino Jesus

Florianópolis

Artigo publicado na edição de junho de 2016 do Jornal da Arquidiocese, página 09

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