“A Palavra de Deus vai arando o coração e no momento oportuno, a semente brota. Em uma terra que não é adubada, a semente morre. E a Palavra é esse adubo, esse arado”. Assim, a coordenadora pedagógica de uma escola particular em Florianópolis, Yana Gil, 35 anos, define a importância da leitura diária da Bíblia.

Daniel (E) e Yana Gil (D)

Daniel (E) e Yana Gil (D)

Desde 1971, a Igreja celebra em setembro o mês dedicado à Bíblia. Exemplos de pessoas como Yana, que fazem da Palavra de Deus, a base para seu dia, não faltam.

Casada há 10 anos com Daniel Gil, mãe de dois filhos, Yana conta que acorda com o esposo às seis horas todos os dias. O casal prepara o café da manhã e depois faz a leitura do Evangelho do dia e partilha o que mais chamou atenção. Na sequência, os dois leem um livro também relacionado ao Evangelho. “Para concluir, fazemos uma oração conjugal, nos abençoamos e vamos trabalhar”, explica. O esposo Daniel ainda escreve uma meditação relacionada ao Evangelho e envia para grupos de amigos.
O casal, que mora em São José, faz parte das Equipes de Nossa Senhora há nove anos. Hoje, têm 14 Equipes de Florianópolis sob responsabilidade deles. Dentro do movimento é proposta a escuta diária da Palavra, com a meditação. “A leitura diária lhe deixa ligado a Deus e a gente não precisa encontrar um grande sinal todos os dias. O maior sinal é estar ligado a Ele”, relata a coordenadora pedagógica.
Por diversas situações da vida, como mudar de emprego, ter filho, aconselhar alguma pessoa, Yana buscou orientação na Bíblia, pois “a Palavra dá a resposta certa para nossa vida, no tempo de Deus”.

Uma bússola para seguir

O mês da Bíblia 2016 traz como proposta de estudo, o livro do profeta Miqueias. Tem como tema, “Para que n´Ele nossos povos tenham vida” e o lema “Praticar a justiça, amar a misericórdia e caminhar com Deus”.
De São José para Florianópolis, vem outro exemplo de fidelidade para este mês da Bíblia. Edval Pieri, 66, acorda ainda mais cedo, às 05h15, para fazer, até às seis horas, a meditação da liturgia diária e dos seguintes salmos: 15, 22, 33, 84, 90 e 127. Faz questão de dizer que usa a Bíblia da Editora Ave-Maria. Só depois da meditação destas passagens, o criciumense toma café, faz as orações do Pai Nosso, da Ave-Maria, agradece o dia e vai trabalhar. O empresário do ramo de confecções de roupas esportivas tem esta rotina há mais de 20 anos. “Eu não sei começar o dia sem rezar, parece que falta algo. Tenho Bíblia no trabalho, no quarto e não receio dizer isso”, observa Edval que é casado há 42 anos com Terezinha, tem três filhos e cinco netos.

Edeval Pieri

Edeval Pieri

O empresário afirma que agradece sempre a Deus pela família e por tudo que recebeu, “é o mínimo. Tão pouco retribuímos, tantas coisas a gente ganha”. Para ele, a Palavra de Deus é o tudo, confere segurança, “não vejo outra bússola para poder seguir. Eu pratico os ensinamentos da Sagrada Escritura. Usei muito carinho para com meus filhos e os incentivei neste caminho. Minha mãe rezava acho que 24 horas por dia, deve ter herdado dela”. Diante do lema do mês da Bíblia 2016 que fala sobre a misericórdia, Edval Pieri tem o coração voltado para o próximo, por meio da meditação diária da Bíblia: “se eu gosto de fazer o bem, com a Palavra de Deus eu faço melhor”.

Para começar, a leitura diária, em pequenas doses

Do centro de Itajaí, o franciscano da Ordem Terceira, legionário e catequista da Paróquia Santíssimo Sacramento, Márcio Antônio Reiser, também reza pela manhã com a liturgia diária antes de sair para trabalhar e à noite, com outros textos da Bíblia. Ele ainda encontra tempo para rezar com a esposa Graziele, quando vai para o trabalho e faz a oração do terço diariamente.
O empresário, que tem um programa na Rádio Conceição há 14 anos sobre Nossa Senhora, assegura que faz toda diferença rezar com a Bíblia. “A Palavra nos revigora a cada dia, dá outro ânimo para começar, sinto-me fortalecido para uma nova jornada. E à noite, faço o fechamento do que vivi com mais segurança e tranquilidade”, constata Márcio.

Márcio Antônio Reiser

Márcio Antônio Reiser

Neste mês especialmente, ele dá a dica para quem não tem o hábito da leitura da Sagrada Escritura. “Adote a técnica de uma medicação, com pequenas doses, isto é, comece com pequenos trechos para meditar. Claro, um dos livros históricos da Bíblia é importante, pois representa a Palavra viva de Deus. À medida que vai se inteirando, aumenta. Doses pequenas, mas eficazes”, finaliza Márcio.
Muitas paróquias da Arquidiocese oferecem as Escolas da fé ou Bíblicas, como uma maneira dos fieis mergulharem na Palavra de Deus. Procure pela paróquia mais próxima de sua casa e participe.
Na Faculdade Católica de Santa Catarina (FACASC), são disponibilizados Cursos de Extensão de livros específicos. No momento há vagas para o estudo do livro do Apocalipse, na Paróquia Sagrados Corações, em Barreiros, São José, como uma extensão da FACASC. Mais informações no fone (48) 3234-0400.

Padre Gilson Meurer fala sobre a Sagrada Escritura

Neste mês da Bíblia, o Jornal da Arquidiocese traz uma entrevista especial com o Pe. Gilson Meurer, 42 anos, que retornou de Roma, Itália, no dia 03 de agosto, após concluir o Doutorado em Teologia Bíblica.  Natural de Florianópolis, Pe. Gilson assumiu também no mês de agosto, como pároco na Paróquia Santa Cruz, em Areias, São José. Acompanhe a entrevista.

Jornal da Arquidiocese – Padre Gilson, relate-nos como foi sua experiência em Roma, com relação à Palavra de Deus no dia a dia dos italianos, da Paróquia em que o senhor foi vigário.

Pe. Gilson Meurer – O interesse existe: A Igreja da Traspontina, em Roma, por exemplo, faz toda semana a leitura orante da Bíblia e conta com grande afluxo de pessoas. Nos cursos e seminários bíblicos  promovidos pelas universidades pontifícias, a presença de leigos é sempre grande. Nas paróquias, os movimentos e pastorais adotam frequentemente as Escrituras como fonte de espiritualidade. Não conheci, porém, grupos de famílias que se reunissem nas casas para ler e meditar a Bíblia. Na minha paróquia, toda a semana celebrávamos a Liturgia da Palavra, dedicando mais tempo à meditação, oração, silêncio e comentário das leituras do dia (ou de leituras temáticas escolhidas).

Padre Gilson Meurer (E) com Dom Wilson Tadeu Jönck (D)

Padre Gilson Meurer (E) com Dom Wilson Tadeu Jönck (D)

JA – Qual a importância de se meditar a Palavra de Deus diariamente, seja em família, trabalho ou outro ambiente?

Pe. Gilson – As Escrituras são a alma da nossa fé e, por isso, alimentam nossa esperança, nossas decisões, nossos projetos de vida. Encontrar todos os dias uma ocasião para ler as Escrituras reforça o cristão nas suas opções em meio a esse mundo de tantas propostas.

JA – Na sua opinião, o senhor acha que as pessoas estão lendo mais a Bíblia hoje? Por quê?

Pe. Gilson – É ambivalente: quem acredita procura as Escrituras e cursos específicos para conhecer e aprofundar sua fé. Quem não crê ou é indiferente, a Bíblia não possui qualquer incidência na sua vida. Existe, de fato, muita ignorância das Escrituras.

JA – Padre Gilson, por que há anos consecutivos, a Bíblia é o livro mais vendido no mundo? O que a faz estar sempre nesta posição?

Pe. Gilson – Sendo o livro por excelência da revelação de Deus para judeus (AT) e cristãos (AT e NT), com a facilitação da sua aquisição, e com a difusão de obras que a tornam mais compreensível, as pessoas não temem tomar uma Bíblia para rezar e meditar, além de reconhecerem nas suas páginas uma sabedoria tão antiga quanto atual, humana e divina.

JA – A pessoa que não tem o hábito, a prática de ler, meditar a Palavra de Deus no dia a dia, pode começar por onde? Por algum Livro específico? Qual a dica que o senhor pode deixar?

Pe. Gilson – Penso que se possa começar pelas narrações: os Evangelhos, Atos dos Apóstolos, no Novo Testamento; Gênesis e Êxodo no Antigo. Recomendo uma leitura sequencial, do início ao fim do livro, acompanhando o progresso narrativo, e não leituras de perícopes isoladas ou aberturas em páginas aleatórias. É importante considerar o contexto histórico e cultural no qual o livro foi redigido, bem como a sua finalidade de fé (não é manual de história, embora relate também história).

O tradutor da Bíblia

“Ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo”. Esta é uma das muitas frases do santo que traduziu a Bíblia. Teólogo, historiador e doutor da Igreja, São Jerônimo nasceu na República da Croácia, no ano de 340, e se destacou pela capacidade intelectual através da grande quantidade de textos que escreveu e traduziu. O trabalho mais conhecido foi a tradução da Bíblia para o latim. O original da Sagrada Escritura é em hebraico e grego. Essa tradução foi a oficial da Igreja durante 1500 anos e perdurou até o Concílio Vaticano II, em 1964.
Para cumprir com êxito a missão a ele confiada, Jerônimo morou onde a Bíblia foi escrita, na Palestina. Nas meditações, ao andar pelo deserto de Belém, o santo batia pedras no peito, a ponto de sangrar, para se livrar das imaginações pecaminosas do passado em Roma.
No dia 30 de setembro de 420, aos 80 anos de idade, ele veio a falecer. É por causa de São Jerônimo que setembro é o mês da Bíblia. “A Bíblia é a carta que Deus escreveu aos seus filhos que peregrinam longe da Pátria”, salientava o santo.

Grupos Bíblicos em Família

A Palavra de Deus deve ser lida, meditada, rezada, contemplada e despertar na pessoa o comprometimento para uma ação concreta na transformação da sua vida e da realidade que vive, unir fé e vida.

Os GBF se reúnem semanalmente para meditar a palavra

Os GBF se reúnem semanalmente para meditar a palavra

Os Grupos Bíblicos em Família (GFB) são uma experiência de vida em comunidade à luz da Palavra de Deus pela ação do Espírito Santo. A Arquidiocese conta com aproximadamente 2800 grupos distribuídos pelas 72 Paróquias, que se reúnem semanalmente para meditar a Palavra.
Nos GBF alimenta-se a comunhão e a unidade entre vizinhos na escuta e na reflexão da Palavra, a partir dos passos da Leitura Orante: leitura; meditação; oração; contemplação e ação.
A vida em comunidade é alimentada pela Palavra que traz Deus para perto de cada um. É o rosto de Deus transformado em boa notícia e revelado no jeito da Igreja ser: misericordiosa, acolhedora, solidária, mesa da Palavra e do pão, da partilha e solidariedade, do kerigma e da fraternidade.
Os Grupos Bíblicos em Família são a semente lançada em vários tipos de terra que cuidada e regada, cresce, floresce e dá muitos frutos para fortalecer a fé e renovar a vida da Igreja.
A Igreja precisa de discípulos missionários convictos, alegres e convertidos pela Palavra de Deus, conscientes da urgência de viver a missão, superando o comodismo e indo ao encontro dos irmãos. Assim diz Jesus no seu mandato: “Vão para o mundo inteiro e anunciem a Boa Notícia para toda a humanidade” (Mc 16,15).

Por Maria Glória da Silva
Coordenadora arquidiocesana dos GFB

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