Como pensar uma sociedade mais cristã e mais cidadã? Quais as iniciativas e os compromissos que os fiéis podem assumir para fazer um país melhor?

Será que eu sou um bom cristão-cidadão? A pergunta é simples, mas pode ser que nunca tenha sido feita. Aspectos da fé cristã, do testemunho da Palavra de Deus e do exercício da cidadania repercutem no mês de setembro, com o dia da Independência.

A cidadania implica no uso dos direitos e deveres de modo interligado, e o respeito e cumprimento de ambos na contribuição para uma sociedade mais equilibrada. Tais hábitos já eram observados desde os tempos de Cristo. Na carta aos estrangeiros espalhados pela Ásia, o apóstolo Pedro exorta os fiéis às práticas cidadãs: “Tratai a todos com honra, amai aos irmãos, temei a Deus, honrai ao rei” (1Pe 2,17).

O agente de pastoral Luiz Carlos Maçaneiro, 53, da Paróquia São Judas Tadeu, de Brusque, tem familiaridade com os assuntos de cidadania, e defende que “isso é uma questão de cristianismo”. “O católico não deve estar descontextualizado das questões da sociedade”, observa.

Luiz relaciona os dez mandamentos como orientações cidadãs aos cristãos. Ainda argumenta que “nós precisamos amar a Deus e ao próximo, como nos indica o mandamento do Senhor, e ser um bom cidadão é uma forma de amar”.

Política

Encarada muitas vezes com repulsa, a política integra um emaranhado de questões relacionadas à cidadania e à ética. Como lembra o secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Dom Leonardo Steiner, “o comportamento ético é essencial para a vida do cidadão e, especialmente, para aqueles e aquelas que pretendem se dedicar ao serviço da sociedade, do bem comum, no serviço público”.

Dar exemplo é uma maneira de levar outras pessoas a aderirem a posturas éticas na sociedade, defende o diácono da Paróquia São Vicente, Itajaí, Juarez Carlos, “e deve ser aceitas por todo aquele que crê em Cristo”, justifica. “O testemunho sempre será a maior arma, a partir dos valores cristãos. Estar atento aos projetos da associação de bairros, lançar ideias na sociedade, participar dos foros públicos e não se calar perante as injustiças sociais”, são atitudes práticas ressaltadas por Juarez.

A postura crítica também ganha repercussão quando nas tratativas dos conflitos da sociedade. A crítica, por excelência, é “o ato de examinar cuidadosamente uma obra, teoria ou opinião, procurando determinar se são boas ou verdadeiras e avaliando os argumentos ou ideias em que se apoiam”. Neste contexto, “não se pode apenas ficar de fora jogando as pedras, é preciso se envolver”, garante Luiz.

Você sabe o que é política? – Por Claudio Corradini

Oração

Saiba Mais!

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Há dois anos em uma reunião com o clero da Igreja Católica, o Papa Francisco orientava sobre a necessidade de se rezar pelos políticos, “para que eles governem bem”, salientava. “Um cristão que não orar por seus líderes não é um bom cristão”, conceituou Francisco, que em outras oportunidades já expressou a necessidade dos fiéis de se aproximarem do tema.

Também na Bíblia se vê o pedido de oração por aqueles que governam. “Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito”, tal como indica São Paulo na primeira carta a Timóteo (1Tm 2,1-2).

A resposta da pergunta inicial parte, portanto, de uma autoanálise, naquilo que cada um pode contribuir na vivência social, tendo em vista os valores cristãos. Desde rezar pelas autoridades a se comprometer em iniciativas solidárias, inserir-se em conselhos de discussão, entre outras opções. O importante é de fato pensar: “Será que eu sou um bom cristão-cidadão?”.

Matéria publicada no Jornal da Arquidiocese, edição de setembro de 2015, páginas 06 e 07.

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