dom_arns_14122016123941Faleceu no fim da manhã desta quarta-feira, 14, o Arcebispo Emérito de São Paulo, o catarinense, Cardeal Paulo Evaristo Arns. Ele estava internado para tratar de problemas pulmonares decorrentes da idade.

O Arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, emitiu uma nota em sua página no facebook pelo falecimento de Dom Arns. Confira a seguir: 

Microsoft Word - Nota de Dom Odilo sobre o falecimento (1).doc

 

 

História

Dom Frei Paulo Evaristo Arns, OFM, nasceu em Forquilhinha (SC), 14 de setembro de 1921. Foi um frade franciscano e cardeal brasileiro. Foi o quinto Arcebispo de São Paulo, tendo sido o terceiro prelado dessa Arquidiocese a receber o título de cardeal. Era arcebispo-emérito de São Paulo e protopresbítero do Colégio Cardinalício.

Quinto de 13 filhos do casal Gabriel Arns e Helena Steiner, brasileiros, descendentes de imigrantes provenientes da Alemanha (região de Rio Mosela).

Realizou seus estudos fundamentais em Forquilhinha (SC). Depois ingressou no seminário franciscano, no Seminário Seráfico São Luís de Tolosa, em Rio Negro (Paraná). Em 1940, entrou no noviciado, em Rodeio (SC). A Filosofia cursou em Curitiba; e a Teologia, em Petrópolis.

Três de suas irmãs são freiras, e um irmão faz parte da Ordem dos Frades Menores.

Também é irmão de Zilda Arns, morta em um terremoto em Porto Príncipe em 2010.

Foi ordenado presbítero no dia 30 de novembro de 1945, em Petrópolis, por Dom José Pereira Alves, Arcebispo de Niterói.

Atividades antes do episcopado

Por cerca de uma década exerceu seu ministério, assistindo a população desfavorecida de Petrópolis, onde também lecionou no Teologado Franciscano de Petrópolis e na Universidade Católica de Petrópolis.

Depois disto, foi para a França para cursar letras na Sorbonne, onde se doutorou em 1952. Retornando ao Brasil, foi professor nas faculdades de Filosofia, Ciências e Letras de Agudos e Bauru. A seguir, retornou a Petrópolis, onde voltou a dar assistência aos desfavorecidos.

Enquanto bispo-auxiliar, trabalhou na Zona Norte paulistana, no bairro de Santana. Durante a ditadura militar, na década de 1970, notabilizou-se na luta pelo fim das torturas e restabelecimento da democracia no país, junto com o rabino Henry Sobel, criando uma ponte entre a comunidade judaica e a Igreja Católica em solo paulista.

No mesmo período, também foi um dos escritores do livro “Brasil nunca mais” e integrou o movimento “Tortura nunca mais”.

Renovou o plano pastoral da Arquidiocese de São Paulo, instituindo novas regiões episcopais (divisões da Arquidiocese de São Paulo) e 43 novas paróquias. Em 1972 criou a Comissão Brasileira de Justiça e Paz de São Paulo. Incentivou a Pastoral da Moradia e a Pastoral Operária.

Pastoral

Sua atuação pastoral foi voltada aos habitantes da periferia, aos trabalhadores, à formação de comunidades eclesiais de base nos bairros, principalmente os mais pobres, e à defesa e promoção dos direitos da pessoa humana.

Ficou conhecido como o Cardeal dos Direitos Humanos, principalmente por ter sido o fundador e líder da Comissão Justiça e Paz de São Paulo, e sua atividade política era claramente vinculada à sua fé religiosa.

Episcopado

Em 02 de maio de 1966 foi eleito bispo titular de Respecta e auxiliar de São Paulo, aos 44 anos. Recebeu a ordenação episcopal em 03 de julho de 1966, na Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus, em Forquilhinha (SC), sendo sagrante principal Dom Agnelo Rossi, Arcebispo de São Paulo, e consagrantes Dom Anselmo Pietrulla OFM, então bispo de Tubarão, e Dom Honorato Piazera SCI, então bispo coadjutor de Lages.

Em 1996, após completar 75 anos, apresentou renúncia ao Papa João Paulo II, em função das normas eclesiásticas, renúncia esta que foi aceita. A partir de então, tornou-se Arcebispo Emérito de São Paulo e foi substituído por Dom Frei Cláudio Cardeal Hummes.

Tem como lema episcopal, “EX SPE IN SPEM– De Esperança em Esperança – traduz a certeza do cardeal de que em Deus esperou e não será confundido, em referência ao Livro dos Salmos (Sl 70,1), sendo uma expressão da total e confiante adesão a Cristo e do humilde abandono do cardeal nas mãos da Divina Providência.

Bibliografia

Autor de 49 livros, suas obras versam sobre a ação pastoral da Igreja nas grandes cidades e estudos da literatura cristã dos primeiros séculos, além de centenas de artigos escritos para as diversas revistas das quais foi redator, antes do episcopado.

Umas das principais obras foi a pesquisa por ele organizada, em que foi abordada a tortura durante os Anos de Chumbo: Brasil, Nunca Mais.

 

 

 

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