Chama a atenção que os evangelhos descrevem o encontro de Cristo ressuscitado com várias pessoas – as mulheres, os apóstolos – mas não falam de encontro de Cristo ressuscitado com sua mãe. Apresentam Maria presente diante de Cristo crucificado, mas não de Cristo ressuscitado.

O encontro com Cristo ressuscitado foi decisivo para a transformação na vida dos apóstolos.  Repensaram e reinterpretaram tudo o que tinham ouvido de Jesus, bem como tudo que tinham vivido no relacionamento com Ele – as parábolas, os ensinamentos, os milagres, a postura diante das instituições e autoridades judaicas. Passaram desta forma, do encontro com Cristo histórico ao encontro com o Cristo da fé, o Cristo pascal que liberta do pecado e da morte.

E como Maria, a mãe de Jesus, vivenciou o relacionamento com Cristo ressuscitado? Foi com a mesma intensidade com que vivenciou a anunciação do anjo e a encarnação do filho de Deus, a perda e o encontro do menino no templo, a condenação e a crucificação. Ela guardava estas coisas e as meditava em seu coração. O mesmo Espírito Santo que a tornou cheia de graça, fez com que entendesse e vivenciasse a ressurreição de Cristo. Também ela fez um caminho. Primeiro a relação era marcada pelo sangue e afeto. Depois da ressurreição, o relacionamento era com o Cristo da fé.

A ressurreição de Jesus é a mensagem central do Evangelho, e Maria é o primeiro fruto da Páscoa. Mesmo que o Evangelho não relate, há um consenso de que Maria é a primeira testemunha da ressurreição. “Se Cristo não ressuscitou, vã é nossa fé” (1Cor 15,14). Da mesma forma que na crucificação a dor transpassou a sua alma, na ressurreição a alegria tomou conta do seu coração.

 A comunidade cristã se forma em torno de Cristo vivo e ressuscitado. Não há comunidade cristã se aí não for semeada a alegria do Senhor ressuscitado. Como Maria, somos chamados a viver a ausência de Deus no silêncio e na oração. O caminho do cristão é viver a alegria da vida nova que só é possível no encontro com o ressuscitado. Maria é modelo de como relacionar-se com Cristo ressuscitado e companheira na caminhada do cristão. Reuniu-se com os apóstolos medrosos no cenáculo e sobre eles desceu o Espírito Santo. Da mesma forma se dispõe a acompanhar o cristão no caminho de lutas e incertezas.

Por: Arcebispo de Florianópolis – Dom Wilson Tadeu Jönck, scj

Artigo publicado na edição de abril/2017, nº 233, do Jornal da Arquidiocese

Seu endereço de email não será publicado. Os campos marcados com * são obrigatórios

*