unnamed-2O encontro da Pastoral do Povo de Rua ocorreu em 22 de outubro, nas dependências da Igreja Matriz da Paróquia São João Evangelista, Biguaçu.

Depois da acolhida do pároco, Pe. José Luiz de Souza, e do coordenador de Pastoral da Arquidiocese, Pe. Revelino Seidler, houve uma breve apresentação dos participantes. A oração inicial foi conduzida pelo Pe. Vilson Groh, a partir do texto bíblico dos discípulos de Emaús, propondo a partilha do texto em grupos e, depois, entre todos os participantes.

Em seguida, foi proposto conhecer a realidade da Pastoral do Povo de Rua nas paróquias presentes. A paróquia São João Evangelista, Biguaçu, apresentou um vídeo relativo aos trabalhos realizados.

A paróquia Sagrados Corações, Barreiros/São José, atende cerca de 50 pessoas com alimentação às segundas-feiras à noite, contando com 10 colaboradores.

A comunidade Vida Nueva, instalada na Paróquia Nossa Senhora do Rosário, Enseada de Brito/Palhoça, existente há 11 anos, tem capacidade para acolher 22 homens, atendidos com serviços médicos e de Assistência Social, bem como, cursos profissionalizantes, como o de panificação.

A Paróquia São Judas Tadeu e São João Batista, Ponte do Imaruim/Palhoça, realiza atendimentos individuais através da ação social, e pretende organizar atendimentos coletivos.

A Paróquia Santo Antônio, Campinas/São José, atende 47 famílias pela ação social, com cestas básicas, doação de roupas e alimentação.

A Paróquia Nossa Senhora da Glória, Balneário do Estreito/Florianópolis, também faz doação de roupas e alimentos, está organizando a construção de banheiros com chuveiros no salão paroquial para possibilitar um dia de acolhimento da População em Situação de Rua.

O Instituto Kairós, dirigido pelo Pe. Prim, em Biguaçu, acolhe recuperandos adictos.

O Instituto Vilson Groh atende cerca de 270 pessoas no centro de Florianópolis, todos os dias, com 600 voluntários divididos em 14 grupos. Em termos de Políticas Públicas, trabalham com duas casas de acolhida e junto ao Centro POP e ao Conselho de Assistência Social.

Ainda esteve presente o Movimento Nacional da População de Rua. Após o intervalo, o Secretário Executivo Nacional da Pastoral do Povo da Rua, Gladston Figueiredo, conduziu os trabalhos com o grupo, apresentando o contexto do Povo da Rua como um fenômeno essencialmente urbano, ligado à falta de mobilidade, emprego, habitação, rompimento de vínculos familiares, drogadição. Trata-se de uma periferia existencial no centro das cidades.

Perfil das pessoas em situação de rua

O perfil das pessoas em situação de rua é formado por excluídos do mercado de trabalho, migrantes, famílias sem moradia, vítimas da violência urbana, alguns em drogadição e uso abusivo de álcool, egressos institucionais. São 85% homens, entre 25 e 45 anos. A Pastoral também atua junto aos catadores de material reciclável.

O assessor motivou para pensar quais os serviços oferecidos pela cidade para esta população e recordou que as propostas nesta área devem contar com a adesão pessoal dos possíveis ajudados e que esta aceitação pode levar tempo.

unnamed-1A Pastoral do Povo de Rua

A Pastoral do Povo de Rua se insere no conjunto das pastorais sociais da Igreja e deve levar em conta quatro dimensões: a humana (visando à dignidade da pessoa), social, política e eclesial (no atendimento do Povo da Rua e na sensibilização de toda a Igreja), visando à transformação social.

Outra tarefa é cobrar as ações do governo, primeiro responsável pelo atendimento, conforme o SUAS (Sistema Único de Assistência Social). A ação da pastoral deve mostrar também aos governantes que é possível um atendimento qualificado nesta área.

A ação da pastoral deve ser preventiva, curativa e profética, como, aliás, afirma o Papa Francisco e o Documento de Aparecida do Norte/SP acerca das pastorais sociais.

A Pastoral do Povo da Rua está organizada em 71 dioceses e tem sede executiva em Belo Horizonte. Suas funções se organizam nos setores de trabalho e renda, moradia, comunidade e Políticas Públicas. Gladston ofereceu aos participantes o livreto “Uma missão urbana a serviço da vida”, com as diretrizes e princípios da Pastoral do Povo de Rua.

Em termos de metodologia, sempre deve-se partir da realidade, ter agentes capacitados e embuídos de espiritualidade para o serviço pastoral.

Enfim, o assessor lembrou os 3 T’s do Papa Francisco: ninguém sem terra, trabalho e teto. Durante o debate seguiu com a apresentação, a importância de construir as ações em comunhão com o Povo de Rua, ao invés de tratá-los de modo passivo. A ação pastoral não pode se tornar uma violência às pessoas, mesmo no intuito de ajudar.

Após o almoço, os participantes foram divididos em três grupos, a fim de pensar na organização da Pastoral do Povo de Rua na Arquidiocese. Os grupos propuseram prioridades para as paróquias e para a Arquidiocese. Em nível paroquial, estruturar os espaços de acolhimento da População de Rua e formar as equipes para o atendimento. Em nível arquidiocesano, garantir formação para os agentes, mapear e articular a rede de atendimento, organizar uma Casa de Passagem em termos mais regionais, possibilitando uma estadia por maior tempo.unnamed

Por fim, o grupo sugeriu nomes para uma Coordenação Arquidiocesana, a ser assessorada pela ASA (Ação Social Arquidiocesana) e pela Coordenação de Pastoral: Furlaneto e Jane (Sagrados Corações), Evânia e Amauri (Biguaçu), Pe. Vilson Groh, Frei Rogério (Vida Nueva), Ana (Centro Palhoça), diác. Juarez (Itajaí). O encontro foi encerrado com a oração do Povo de Rua.

Por: Marinês dos Santos

Assistente Social 

Ação Social Arquidiocesana

Fone: (48) 3224-8776

[email protected]

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