O salmo 142 traz em seu título: “Salmo didático de Davi. Oração enquanto estava na caverna”. A caverna é uma alusão ao fato narrado pelo livro de Samuel, onde Davi se refugia para escapar de Saul e seu exército (1Sm 24). Os títulos dos salmos, no entanto, foram colocados muito tempo depois da sua composição, ou seja, na fase da organização do livro, em meados do séc. II aC. Não exprimem necessariamente o autor (“Davi”) e a situação para a qual foi composto (angustiado “na caverna”), mas indicam o grande valor que a comunidade dá ao salmo e um contexto bíblico ilustrativo.

Trata-se de uma súplica individual que, apesar de semelhante à outras do mesmo gênero, impressiona por sua intensidade, sobretudo pelas expressões de confiança. Predominam palavras inerentes a caminho ou espaço: “caminho, trilha, à direita, para onde fugir, porção na terra dos vivos, prisão”. Como se o orante se sentisse afligido no espaço onde vive , em busca de uma saída, um refúgio. De fato, “diante de Deus” o orante põe seu lamento e angústia (v. 3), “no Senhor” ele se refugia (6).

Ele se sente desamparado (v. 5), perseguido (7), encarcerado (8). Expressões que fizeram os Padres da Igreja aplicar esse Salmo ao Cristo em sua paixão. Todo orante pode dele se servir para pedir liberdade de suas prisões, vícios, pecados e angústias; para si, ou em nome de quem precisa. Com efeito, a CNBB nos convida no dia 7 de setembro a rezarmos pela nossa pátria: de quantas “amarras” ela deve se libertar. S. Francisco, no momento de sua morte, recitou como últimas palavras esse belo salmo de súplica e confiança em Deus.

Leia o salmo e reflita:

1) Que título alternativo poderia-se dar ao salmo?

2) Em quem somente o salmista encontra refúgio?

Por Pe. Gilson Meurer

Artigo publicado na edição de setembro/2017, nº 238, do Jornal da Arquidiocese

Seu endereço de email não será publicado. Os campos marcados com * são obrigatórios

*