O salmo 140 (139 na versão grega) é um típico salmo de súplica e pode ser dividido em quatro partes: a) 2-6: súplicas; b) 7-8: ato de confiança; a’) 9-12: súplicas; b’) 13-14: confiança e promessa. Uma estrutura tradicional onde o salmista alterna petições e expressões de confiança.

Os pedidos são por proteção, defesa, guarda, salvação, castigo, contra um inimigo de difícil identificação. Estaria ele falando de uma pessoa ou de uma nação inimiga? Ele o descreve como um perverso, violento, que planeja o mal, contendas, ciladas e armadilhas, de língua afiada e venenosa, malicioso e caluniador. O salmista destaca muitos pecados de língua. O orante também pode ser um singular (muitos identificam com o rei Davi, ou outro rei, ou um fiel que se sente perseguido) ou Israel, cercado de inimigos.  Nos últimos versos, o salmista manifesta confiança que o Senhor defenderá os indigentes e os pobres, os justos e os retos, entre os quais, ou a favor dos quais, ele se posiciona.

Alternando com as súplicas, o orante exprime total confiança no Senhor, cujo nome (Javé) pronuncia 7 vezes. Ele o chama «meu Deus» , «meu Senhor, força que me salva», expressões que denotam grande proximidade.

  1. Paulo alude duas vezes a esse salmo na carta aos romanos (quando fala da condição pecadora de todo homem, compare Rm 13,3 e Sl 140,4; e a imagem do «carvão que arde sobre a cabeça», Rm 12,20 com Sl 140,11). S. Jerônimo também o considera uma reflexão sobre a radical condição de pecador do ser humano. Mas será o grito do justo perseguido que favorecerá a colocação desse salmo na liturgia da Semana Santa, ao lado do relato da Paixão de Cristo. O grito do orante injustiçado e perseguido se torna o grito de Cristo, e a exclamação de confiança no final do Salmo (vv. 13-14), será, segundo Agostinho, o emblema da páscoa de Cristo e do cristão, a certeza de salvação plena e futura.

Leia o salmo e reflita:

1) Quais os atributos do homem perverso desse salmo?

2) Quais os atributos de Deus expressos pelo salmista?

Por Pe. Gilson Meurer

Artigo publicado na edição de julho/2017, nº 236, do Jornal da Arquidiocese

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