Foto: Gustavo de Oliveira

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Com a presença do Núncio Apostólico no Brasil, Dom Giovanni d’Aniello, o 26º Curso Anual dos Bispos do Brasil, que tem como tema central “A Nova Evangelização: significado, desafios e aplicação à realidade do Brasil”, teve início na última segunda-feira, dia 23 de janeiro, e será realizado até sexta, dia 27, no Centro de Estudos e Formação do Sumaré, no Rio Comprido.

Foto: Gustavo de Oliveira

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O primeiro curso dos bispos no Sumaré aconteceu em julho de 1990, com a presença do então Cardeal Joseph Ratzinger, hoje Papa Emérito Bento XVI. O encontro anual tem como objetivo principal reunir os bispos para compartilharem uma semana de estudos, oração, descanso e lazer. O arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta, deu às boas vindas aos participantes do curso.

“Sejam bem-vindos, queridos irmãos bispos! Que nosso encontro nos auxilie a evangelizar com alegria e misericórdia todos os homens e mulheres. Que nos acompanhe nestes dias Nossa Senhora Aparecida. Que vivamos e testemunhamos a misericórdia cristã”, disse.

Em seu artigo intitulado “Bispos e nova evangelização”, publicado no Portal da Arquidiocese, Dom Orani também falou sobre as temáticas e as perspectivas do encontro:

Foto: Gustavo de Oliveira

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“As Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2015-2019, à luz da Evangelii Gaudium, bem como o discurso que o Papa Francisco pronunciou aos bispos no Rio de Janeiro por ocasião da Jornada Mundial da Juventude em 2013 nos dão caminhos seguros para a renovação da evangelização da Igreja no Brasil. Fica claro que é urgente o ardor missionário da Igreja, espelhado no testemunho do Papa Francisco, constituída de uma Igreja em saída, mãe de braços abertos, casa do pai de portas abertas para todos, que apresenta um ingente convite às pessoas de se encontrarem com Jesus Cristo, vivo e presente na sua Igreja. É precisamente este aspecto, o Querigma cristão que iremos estudar na certeza de que a Mãe Igreja é a casa da iniciação à vida cristã. Neste ano do jubileu dos trezentos anos da imagem de Nossa Senhora Aparecida, os bispos reunidos no Rio de Janeiro são convidados a volver seu olhar para o Santuário Nacional e para a 5ª. Conferência Geral do Episcopado Latino Americano e Caribenho de Aparecida, conscientizando cada vez mais na insistência do Documento de Aparecida na concepção de formação como um processo continuado, lembrado como verdadeiro catecumenato mistagógico e profundamente unido à celebração do Mistério de Cristo”, escreveu o arcebispo.

Foto: Gustavo de Oliveira

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Os conferencistas e professores internacionais e nacionais, especialistas no tema, que estarão presentes no encontro são: o arcebispo emérito de São Paulo e presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Cardeal Cláudio Hummes; o arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, Cardeal Sérgio da Rocha; o presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, Dom Rino Fisichella; o secretário do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso e vice-prefeito da Comissão para as Relações Religiosas com os muçulmanos, Dom Miguel Ángel Ayuso Guixot; e o diretor geral do Instituto Superior de Estudos de Guadalupe (ISEG), Padre Doutor Eduardo Chávez Sánchez.

Na quarta, Dom Rino Fisichella relembrou os temas abordados anteriormente, e destacou que os tempos atuais, dentro de sua linguagem relativista, apontam para uma tendência que leva, primeiramente, à crise da fé. Em seguida, passa-se a ser indiferente, até que se chega ao ateísmo. Ele citou a frase “crente, mas não praticante” como expressão emblemática desta visão da fé que tem afetado a muitos fiéis.

Dom Rino apresentou um dado curioso: durante o Jubileu da Misericórdia, em alguns países houve  crescimento de até 30% na busca pelo Sacramento da Confissão. As basílicas em Roma e as igrejas jubilares se tornaram locais de grandes filas nos confessionários. Segundo ele, o “povo percebeu com força que a misericórdia de Deus era verdadeiramente palpável neste sacramento”.

Foto: Gustavo de Oliveira

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Para ele, são vários os motivos que levam ao endurecimento da fé, uma vez que a sociedade vive diante de uma “consciência esquizofrênica”. Porém, segundo Dom Rino, há dois aspectos importantes para verificar a possibilidade de superar a crise. O primeiro se deve a uma ausência do anúncio central da pregação de Jesus: a “metanoia”, como um convite a acolher ao Evangelho e a uma mudança de vida. O anúncio tornou-se apenas teórico, sem a experiência da alegria de doar-se a Cristo.

Em segundo, ele destaca a perda de sentido de pertença à comunidade. A tal forma de pensamento atingiu as pessoas, criando uma cultura, dando ênfase num subjetivismo que se encerra em si mesmo, impedindo uma relação interpessoal.

“No compromisso da Nova Evangelização, a renovação pastoral deveria contribuir fortemente para voltar a colocar num lugar central o Sacramento da Penitência: efetivamente ele requer um compromisso ainda maior, sobretudo quando se confronta com a exigência de uma nova linguagem para o anúncio e para a profissão de fé”, afirmou Dom Rino.

O TRÍDUO E O PERDÃO

Foto: Gustavo de Oliveira

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De acordo com Dom Rino, o tríduo pascal é o ponto culminante para a Igreja. Nesses três dias, a remissão dos pecados, a misericórdia de Cristo alcançou e ainda alcança a todos. Segundo ele, o perdão, ao contrário do pecado, consegue unir a comunidade de filhos de Deus.

“A vida da Igreja está marcada por um percurso que encontra o seu coração pulsante no tríduo pascal. Na Páscoa, o dom do Espírito Santo, para o perdão dos pecados, encontra purificado o rebanho dos discípulos. O Espírito oferecido para o perdão permitiu que o pecado da traição de Judas e Pedro e a fuga dos demais fossem perdoados. O Espírito reúne os dispersos, purifica os traidores, dá força aos tímidos e coragem aos amedrontados. O perdão é um evento comunitário porque o pecado traz consigo a separação da comunidade”, afirmou.

O VALOR DO SACRAMENTO

Neste tópico, Dom Rino apontou a situação estranha em que o penitente se encontra, uma vez que, na confissão, ele deve dizer absolutamente tudo, deve admitir a verdade sobre a própria existência e seus atos. Segundo ele, há certo alívio porque ninguém pode “se livrar” da condição de pecador. Porém, reconhecer o que existe dentro de si para o outro muda completamente a situação.

Dom Rino destacou a importância da transparência para a descoberta de si mesmo. Além disso, de acordo com ele, a finalidade da confissão é o desejo de retornar para perto de Deus. Dessa forma, o cristão segue os mesmos passos do Mestre em direção ao Calvário para depositar, diante d’Ele, os pecados que serão pregados na cruz.

“O objeto da confissão é o desejo da proximidade com Deus, do qual me afastei com o pecado. Se eu reconhecer realmente quem sou, posso rever a face de Cristo e viver de novo em sua presença, que garante a grandeza do amor. O penitente deve, sobretudo, compreender que, ao aproximar-se da confissão, está percorrendo o mesmo caminho que Jesus percorreu até o Calvário. Cada um carrega sobre si o peso do pecado, vivendo com a certeza de que ele será descarregado sobre as costas do Filho de Deus e, com Ele, pregado na cruz”, completou.

Em contrapartida, Dom Rino também destacou o turbilhão de sentimentos aos quais os sacerdotes são submetidos durante as confissões. Diante de tais situações, o sacerdote deve perceber o valor do sacramento como o poder da misericórdia de Deus que vai ao encontro de cada um.

“Frequentemente, o sacerdote se acha incapaz de saber responder ao que é confessado ou a um pedido de conselho, uma expectativa de ajuda. Em outros momentos, ele vive uma espécie de solidão diante da profundidade do mal que escuta, e é chamado a carregar sobre si. Em todo esse estrondo de sentimentos, se esquece do valor da graça que age, do Espírito que atua e da misericórdia que não conhece limites. Por outro lado, o poder de tirar os pecados que o foi confiado não é menos compreensível que o outro poder de transformar, com suas palavras, o pão e o vinho no Corpo e Sangue de Cristo”, finalizou.

Dom Rino encerrou afirmando que é pelo desejo de proximidade com Deus que se busca a confissão. A distância e a ausência de Cristo fazem com que o fiel não se sinta parte da comunidade, Corpo Místico do Senhor. A participação no pecado e a necessidade da misericórdia se unem diante de Deus e dos homens.

Por Arquidiocese São Sebastião

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