Que tipo de beleza há em Maria? A rara beleza de uma menina moça humilde encantadora, pertencente a uma família simples, que vivia o seu dia-a-dia como qualquer moça judia, obediente a Deus, a seus pais, a seu noivo, a seu povo e a sua cultura. Esta menina-moça de tão singela beleza foi escolhida por Deus para ser a mãe de Jesus, nosso Salvador. Mesmo sem saber exatamente o que estava por acontecer, simplesmente por amor e obediência a Deus, ela disse sim. E o sim de Maria trouxe a luz ao mundo: “Esta era a luz verdadeira que, vindo ao mundo, ilumina todos os seres humanos” (Jo 1-9).

Aqui começa a diferença de Maria em relação às mulheres de sua época. Ao atender o pedido de Deus e acolher a Boa Nova de Jesus, ela se mostra disposta a formar uma nova comunidade, onde o papel da mulher como protagonista começa a surgir. A partir das suas palavras, expressas no Magnificat: “Minha alma exalta o Senhor. Meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador” (Lc 1,46-47). Aquela que Deus escolheu deixa o conforto do seu lar para ir ao encontro de quem necessita, sua prima Isabel, grávida em idade avançada: “Nesses dias, Maria partiu apressadamente para a região montanhosa a uma cidade de Judá. Entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel” (Lc 1,39-40). Ela coloca-se à disposição do Filho de Deus: “Ela deu à luz seu filho primogênito. Envolveu-o em panos e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na sala” (Lc 2,7). Assume a responsabilidade de mãe: “Filho, por que fizeste isso conosco? Olha que teu pai e eu estávamos angustiados te procurando” (Lc 2,48). Chama a todos para servir seu Filho: “A mãe de Jesus disse aos que estavam servindo: Façam tudo o que Ele lhes disser” (Jo 2,5). Ensina a ser presença no sofrimento: “Junto à cruz de Jesus estavam sua mãe, a irmã dela, Maria de Cléofas, e Maria Madalena” (Jo 19,25). Foi exemplo de perseverança na oração: “Todos tinham o mesmo sentimento e perseveravam na oração, com algumas mulheres, entre as quais Maria a Mãe de Jesus” (At 1,14). Quanta beleza há em Maria!

Livre para acolher a proposta divina, caminhou e enfrentou os desafios do seguimento de Jesus, nos ensinando que o caminho para Deus é feito passo a passo, sem se desviar da estrada, sempre na fidelidade ao seu projeto de amor e de salvação. Por tanto protagonismo, por tamanha doação, exemplo de fé, perseverança na missão e, principalmente, por ser a mãe de Jesus, nosso Salvador, a Igreja nos diz no catecismo que “a Imaculada Virgem, preservada imune de toda mancha, da culpa original, terminando o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste, para que mais plenamente estivesse conforme a seu filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte, foi exaltada pelo Senhor como Rainha do Universo” (CIC 966).

Todos os anos, no dia 15 de agosto, a Igreja celebra esse grande dia, o dia da Assunção de Nossa Senhora aos céus. Deus elevou à glória do céu, em corpo e alma, a Imaculada Virgem Maria! Ela, uma simples criatura, tão pequena, de beleza tão singela, foi elevada ao céu, na plenitude em todo o seu ser, em corpo e alma! Portanto, podemos exclamar como Isabel: “Bendita és tu entre as mulheres! Bendito é o fruto do teu ventre!” (Lc 1,42).

Por Mariza Barbosa Vieira
Paróquia Nossa Senhora do Rosário/São José

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