Papa Francisco: o grande exemplo de missionário dos tempos atuais

A messe é grande, mas os operários são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da messe que envie operários para sua messe” (Mt 9,37-38). O Senhor chama operários, muitos ouvem e se tornam, assim, discípulos missionários de Cristo.

O Papa Francisco insiste neste sair. “Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Por isso, ela sabe tomar a iniciativa sem medo, ir ao encontro, procurar os afastados” (Evangelii Gaudium 49).

O tema deste mês missionário está em consonância com o desejo do coração do Papa: “A alegria do Evangelho para uma Igreja em saída”. O lema é: “Juntos na missão permanente”. Partir em missão não é simplesmente arrumar as malas e dizer para a família: “Estou indo ali, do outro lado do Atlântico, falar do Reino de Deus para pessoas que não o conhecem. Volto em um mês”. A alegria da Igreja em saída comporta, sim, este “pegar as malas” e ser discípulo missionário em terras distantes. Porém, partir em missão é compromisso diário, a começar no local onde você está inserido.

A misericórdia diária

Partir em missão diariamente junto aos hospitais, asilos, presídios, onde o Senhor enviar. Urgências na evangelização não faltam. Quer um exemplo? A presidente da Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (APAC), Leila Pivatto, há 11 anos atua voluntariamente na Pastoral Carcerária da Arquidiocese. Uma missão diária que ela define como gratificante. “O preso chega com uma dor de dente, por exemplo, e sai com o problema solucionado. Isto não tem preço que pague. A necessidade existe e é grande, não podemos abandonar nem o preso e nem a família”.

Leila Pivatto | Foto: Pastoral Cacerária

Este partir em missão da Pastoral Carcerária, no Complexo Prisional da Agronômica, em Florianópolis, comporta uma evangelização diária, com atendimento às famílias dos detentos, das 07 às 18h. Leila explica que voluntários fazem visitas três vezes por semana na Penitenciária Masculina e, a cada 15 dias, no Presídio Feminino. Os presídios de São Pedro de Alcântara e Palhoça também recebem missionários visitadores. Padres e diáconos estão na equipe de apoio.

Um trabalho que inclui, ainda, conseguir remédios, consultas, dentistas, roupas, passagens e outras urgências.  A messe é grande e os operários são poucos. A Pastoral Carcerária precisa de missionários voluntários das diferentes áreas de atuação: psicólogo, dentista, protético, assistente social, bibliotecária, advogado e outros. Informações: (48) 3879-2168.

Malas prontas novamente

Em pé, Diác. Manoel Antônio Vieira | Foto: divulgação

Ele já arrumou as malas e partiu em missão quatro vezes. É pouco? Não, para o incansável missionário, Diácono Manoel Antônio Vieira, da Paróquia São João Evangelista, de Biguaçu. Casado com Bernadete, pai de três filhos e com cinco netos, ele viaja no dia 08 de outubro para a quinta missão de sua vida, em Muquém de São Francisco, na Bahia, para ajudar o Pe. Antônio Schmitt. Desta vez, o Diácono Manoel fica até depois do Natal. “Tenho a bênção da minha esposa, do meu pároco – Pe. José de Sousa – e de Dom Wilson. Vou com muita alegria para cumprir a missão à qual me preparei. Serei um missionário que vai em busca dos irmãos mais distantes, para torná-los mais próximos do Evangelho”, conta o diácono.

Com o lema de ordenação “Ide evangelizar a todos os povos” (Mt 28,19), Manoel afirma que o convite partiu do coordenador do Conselho Missionário Diocesano (COMIDI), Pe. Josemar Silva, para trabalhar na Diocese de Barra. “O que me marcou foi o desprendimento daquele povo. Você sai daqui para aprender lá, como se faz a partilha”, admite o diácono.

Ir ao povo

Seja um missionário do Projeto Ir Ao Povo | Foto: Projeto Ir Ao Povo

Um modo concreto de partir em missão é o projeto “Ir ao Povo”, da Paróquia São Cristóvão, bairro Cordeiros, em Itajaí, que teve início no dia 24 de maio de 2017. Trabalho no acolhimento e na recuperação da dignidade de pessoas em situação de rua, e no amparo às famílias em extrema necessidade. “É preciso ir ao povo e a nossa resposta segue perseverante: ‘Eis-me aqui, Senhor’. Não alimentamos somente o corpo, mas o espírito e agimos na recuperação de uma vida digna aos que desejam um novo caminho”, ressalta o coordenador geral, João dos Santos.

Todas as quartas-feiras, leigos voluntários vão para as ruas de Itajaí, como o gerente de produção, Jean Ricardo, 37 anos, casado, e que participa do projeto há pouco mais de um mês. “Estava na missa e o padre pediu operários para participarem dessa obra. Comentei com minha esposa, falamos com o casal responsável, Adriana e João, e eles me acolheram bem. Participava da missa, mas faltava uma obra”, relata Jean. Hoje, ele vai toda semana para as ruas com os demais missionários e assegura que está muito feliz.“Quero me dedicar cada vez mais em fazer o bem ao próximo”, ressalta.

Seminarista em missão quantas vezes for necessário

Seminarista Lucas (E) e Paulo Chaves (D) | Foto: arquivo pessoal

Em julho deste ano, o seminarista Paulo Chaves, 35, estudante do quarto ano de teologia, fez a quarta experiência missionária, desta vez, na diocese irmã do Macapá, onde está o Pe. Jacob Archer.

Nos dez dias em que lá esteve, foi tocado pela fé do povo e o esforço do Pe. Jacob para atender a extensão dos municípios. “O que me deixou contente, particularmente, foi ver uma juventude inserida na realidade de suas comunidades. Jovens que conferem à Igreja um rosto de esperança, mesmo onde não parece ter”, admitiu Paulo. E acrescentou que “valeu a pena ter saído mais uma vez em missão e conhecido essa realidade para a qual nossa Arquidiocese estende seus braços”.

Padres além das dimensões territoriais da Arquidiocese

A messe do Senhor também comporta partir para terras distantes. É o caso de três padres da Arquidiocese que estão em missão: Lúcio Santos (Diocese de Bafatá, Guiné-Bissau, África, desde 2006), José Jacob Archer (Diocese de Macapá – Amapá, desde 2015) e Antônio Luiz Schmitt (Diocese de Barra – Muquém de São Francisco, desde 2016).

Acompanhe o relato das experiências missionárias destes padres.

Uma realidade que encanta e desafia
Por Pe. Antônio Luiz Schmitt

Padre Antônio em missão no sertão da Bahia | Foto: arquivo pessoal

Desde que me coloquei a serviço da igreja para a missão tenho vivenciado muitas experiências de fé viva do povo que acolhe.

A vida no sertão baiano não é fácil. O calor e a seca têm castigado esse povo que depende da roça e da pesca. Nossas comunidades são distantes, daí também a dificuldade de organização eclesial, porém não é obstáculo para a missão. Na luta do povo e na esperança por dias melhores, a fé se fortalece e procuro estar presente.

Tenho a certeza de que a missão é de todos e por isso, além da presença aqui no sertão, a Arquidiocese tem sido uma apoiadora por meio de orações do povo e de sua colaboração material. Que o Espírito Santo nos encoraje sempre e nos faça servos fiéis ao Senhor como foi Maria Santíssima. Um grande abraço a todos e que Deus nos abençoe.

Todo cristão é missionário
Por Pe. Lucio Santos

Padre Lucio com o moradores de Guiné-Bissau | Foto: arquivo pessoal

Aprendi que o missionário é a alegria e a esperança na comunidade. Os que passam a conhecer o missionário percebem uma nova realidade. Acontecem iniciativas na educação e no cuidado da saúde. Surge o anúncio de Jesus e uma nova forma de conversa com Deus. Cria-se uma bonita amizade entre o missionário e as pessoas da comunidade. Quando descobrimos que todo cristão é missionário, abre-se diante de nós o universo. Nosso coração fica sem fronteiras.

Esta é a experiência que faço na missão em Guiné-Bissau, unido à Equipe Missionária. Sinto-me feliz em colaborar para que a nossa Arquidiocese viva sua missionariedade nos seus 360 graus, assumindo, com toda a Igreja, o “Ide e ensinai” de Jesus (Mt 28,19-20).

Dezessete anos de missão além fronteiras
Por Pe. Jacob Archer

Padre Jacob Archer (E)

Há três anos na Diocese de Macapá, estou à frente de duas Paróquias, nos municípios de Amapá, Calçoene, Tartarugalzinho e Pracuúba. São 35 mil km², 40 mil habitantes e 45 comunidades.

As distâncias são grandes, mas com a graça divina e a proteção de Nossa Senhora de Nazaré, sigo em frente anunciando o Evangelho junto ao povo simples. Isso me dá ânimo, alegria e perseverança.

Sinto a falta de mais padres missionários, para juntos atendermos melhor esse povo. Temos dificuldades financeiras para podermos estar mais presentes na formação de lideranças, mas não desanimo, pois Deus está comigo e nada temo.

Nesses 17 anos de missão além fronteiras, o povo do sertão da Bahia e Amapá muito me ensinou e me deu a alegria de ser um padre missionário. Agradeço a Deus por esse chamado, a meus familiares pela compreensão e apoio, e a todos que rezam e estão unidos nesta Missão Fidei Donum.

Mês missionário

Padre Josemar (C) durante o Encontro de Formação Missionária | Foto: COMIDI

O coordenador do Conselho Missionário Diocesano (COMIDI), Pe. Josemar Silva, explica que muitas paróquias da Arquidiocese já estiveram em missão em agosto e setembro e outras vão intensificar em outubro. “A missão é de Deus, mas cada um de nós é chamado a colaborar. O batismo nos dá ‘a missão de anunciar o Reino de Cristo e de Deus’ e ‘de estabelecê-lo em todos os povos’ (LG 5). Não podemos deixar de assumir essa responsabilidade. Assim, as paróquias, as comunidades e os fiéis têm o compromisso de colaborar para que o Evangelho chegue em todos os lugares”, confirma Pe. Josemar.

Matéria publicada no Jornal da Arquidiocese, páginas 06 e 07, edição de outubro de 2017

 

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