Agentes da Pastoral Carcerária de todo Brasil estiveram no domingo, 08, no Santuário Nacional de Aparecida, em Aparecida do Norte (SP). Eles participaram do Encontro Nacional da Pastoral Carcerária.

A Pastoral celebrou os 20 anos da Campanha da Fraternidade (CF) de 1997, cujo tema foi “A Fraternidade e os Encarcerados”e os 300 anos da aparição da imagem de Nossa Senhora Aparecida.

De Santa Catarina, seis dioceses estiveram representadas: Blumenau, Chapecó, Joaçaba, Joinville, Lages e Tubarão, além da Arquidiocese de Florianópolis, ao total de 46 pessoas.

No domingo pela manhã, todos participaram da Missa na Basílica Nacional de Aparecida, presidida pelo Arcebispo de Diamantina (MG), Dom Darci José Nicioli e concelebrada por padres e com a participação de diáconos que são agentes da Pastoral Carcerária.

A celebração relembrou os 25 anos do massacre na Penitenciária do Carandiru, em São Paulo, no qual 111 presos foram assassinados e até hoje, os responsáveis não foram julgados. Outros massacres que ocorreram no sistema prisional brasileiro também foram lembrados, como os que aconteceram neste ano.

No contexto do Ano Mariano Nacional, a Missa também celebrou os 300 anos da aparição da imagem de Nossa Senhora Aparecida, no rio Paraíba do Sul. Não só a imagem de Maria foi celebrada, como a mulher que ela foi que, assim como Seu filho, optou por estar ao lado dos pobres e miseráveis. “Vamos celebrar a mulher Maria, e também as Marias presas hoje e as mães negras que estão no sistema prisional”, afirmou coordenador Nacional da Pastoral Carcerária e representante da América Latina, Pe. Valdir João Silveira.

Após a celebração, ocorreu um encontro no Auditório Padre Noé, no subsolo da Basílica, com a presença de agentes da Pastoral do Brasil e representantes de países como Estados Unidos, Quênia, Peru, Argentina, Costa Rica, Austrália, Porto Rico, Líbano e Escócia.

A acolhida foi feita pelo Pe. Valdir João da Silveira, com palavras de incentivo à missão, mas também de denúncia, sobretudo, pela continuada situação de tortura e morte nos presídios, sob a vista indiferente do Judiciário. A coordenadora nacional para a Questão da Mulher Presa, irmã Petra Silvia Pfaller, apresentou dados sobre a quantidade crescente das mulheres presas, e a situação degradante com que são tratadas.

Estatísticas

Em 1997, de acordo com o texto-base daquela campanha, a população prisional do Brasil era de 129.169 presos, sendo 96,31% homens e 3,69% mulheres, em sua maioria, 95%, pertencente às camadas mais pobres da sociedade. Passados 20 anos, a situação só piorou: atualmente, mais de 650 mil pessoas estão presas no Brasil (quantidade cinco vezes maior do que em 1997) e o percentual de mulheres encarceradas saltou para 6,5% do total de presos.

Encontro de comissão internacional das Pastorais Carcerárias

Durante àquela semana, a Pastoral Carcerária do Brasil sediou em São Paulo, o encontro da comissão internacional das Pastorais Carcerárias.

Estiveram presentes representantes de países como Estados Unidos, Quênia, Peru, Argentina, Costa Rica, Austrália, Porto Rico, Líbano, Escócia, além do Brasil.

Um dos objetivos do encontro foi a troca de experiências e o conhecimento da realidade carcerária de diferentes países, e como uma articulação internacional pode ajudar na melhora do trabalho das pastorais.

Os representantes das pastorais conheceram de perto a situação prisional brasileira, ao visitar um presídio em São Paulo.

Além disso, o encontro trabalhou temas como o estatuto da comissão e a criação de um guia de orientação para as Pastorais de toda a América Latina.

Em 2018, o encontro de todas as Pastorais Carcerárias da América Latina, será em outubro, em Santa Catarina.

Site: carceraria.org.br

Com informações de Aline Ribeiro de Mello e da Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Goiânia

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