A cada dois anos, entre os meses de agosto a outubro, os brasileiros recebem uma enxurrada de informações nas ruas ou nos meios de comunicação sobre os candidatos que concorrem nas eleições municipal, estadual e federal. Talvez você, católico, já esteja pensando: “Ah, lá vem mais um texto sobre as eleições. Católicos não se envolvem em política”. É mesmo? Então diga isto ao Papa Francisco.

“Envolver-se na política é uma obrigação para um cristão. Nós, cristãos, não podemos nos fazer de Pilatos e lavar as mãos. Não podemos! Devemos nos envolver na política porque a política é uma das formas mais elevadas da caridade, porque ela procura o bem comum”, ressalta o Pontífice.

 

Tânia

A participação do católico na política é essencial para a construção de uma sociedade solidificada nos valores cristãos, como faróis seguros que trazem a marca do próprio Jesus Cristo. Por isso, o Papa Francisco questiona: “Por que a política está suja? Porque os cristãos não se envolveram nela com espírito evangélico?”

Tânia Maria Leal, 57 anos, que participa da Paróquia São Sebastião, em Tijucas, afirma que participar da política é uma obrigação dos cristãos, que não devem ficar em cima do muro. “O católico deve estar envolvido, pesquisando a vida dos candidatos, avaliando e questionando seus valores e o que pensam, como votam nos projetos de interesse e relevância social”, explica Tânia.

Bem comum: conjunto das condições necessárias para que a pessoa humana tenha dignidade.

“Política” vem da palavra grega “pólis“, que significa “cidade”. Ou seja, a política é a gestão da cidade, da comunidade, da vida social, focada no bem comum. “Política” é, portanto, o exercício do poder de participar nas decisões da comunidade.

Tarcísio com o filho Rafael

O estudante de pós-graduação, Tarcísio Rocha Figueredo, 27 anos, paroquiano da Santíssima Trindade, em Florianópolis, sugere que a população deve acompanhar os trabalhos dos políticos e se comunicar com eles para fazer sua voz ser ouvida. E ressalta que mandatários não estão no poder para fazer um favor para o povo, mas sim, para trabalhar pelo bem comum. “Pode-se dizer que ‘o povo é o patrão dos políticos’ e não o contrário. Um patrão quando quer que o empregado cumpra com o trabalho que tem que ser feito fica em cima dele, cobra, avalia o serviço, até que o resultado esteja de acordo com o que espera. Com os políticos a população deve fazer da mesma maneira. É importante se informar sobre as ações dos governantes e hoje em dia existem várias maneiras: televisão, rádio, redes sociais, sempre tomando muito cuidado com as notícias falsas”, orienta o estudante. Muitos políticos já divulgam seus trabalhos nas redes, basta procurar e se conectar às suas páginas oficiais.

Além disso, Tarcísio afirma que para cada pessoa fazer isso sozinha é muito complicado, por isso, tem uma sugestão. “É muito importante as comunidades se organizarem para conversar, trocar informações e, assim, mobilizarem-se para cobrar dos políticos, seja pela internet ou pessoalmente”, sugere o jovem.

A cada eleição que passa, a população fica cada vez mais desgastada quando o assunto é política. Isso ocorre porque diariamente os noticiários relatam casos de corrupção envolvendo políticos e empresários. Mas o cristão precisa entender que este tipo de informação não se trata de “política” e sim de “politicagem”. Mandatários não cumprindo promessas, troca de favores, “dança das cadeiras” nas administrações públicas, aumento de privilégios, alianças partidárias incoerentes, atitudes como essas fazem o povo desacreditar da política.

Por essa razão, a Igreja Católica, como advogada da justiça e dos desfavorecidos, pede aos fiéis que participem da política, pois é um dos meios que possibilitam a promoção da paz, da justiça e do cuidado da vida de um povo inteiro. O cristão chamado a esse exercício tem a missão de dar um testemunho pessoal e coletivo da seriedade de sua fé, por meio de um serviço eficaz e sem interesses particulares.

Nestas eleições, você, leitor cristão, deve ficar atento a candidatos que promovam discursos de ódio, racismo, intolerância religiosa, contra a vida e a família, a favor da pena de morte.

Os valores cristãos são essenciais para a construção de uma sociedade justa e mais fraterna. Por essa razão é preciso conhecer os candidatos. “É necessário pesquisar as propostas dos candidatos e seu posicionamento com relação à defesa da vida. Deve-se confiar o voto a candidatos que são contra o aborto e a eutanásia, que enxergam a família como célula fundamental da sociedade e que reconhecem o perigo que a ideologia de gênero representa na educação de crianças e adolescentes”, alerta Tarcísio.

Vote em quem…

  • Vive e defende os valores cristãos.
  • É competente e tem capacidade de liderança.
  • Defende a vida, desde a concepção até o seu fim natural. Preocupar-se com a dignidade do ser humano.
  • Defende a família, segundo o plano de Deus.
  • É comprometido com os mais necessitados.
  • Respeita os adversários políticos.
  • É coerente nas palavras e atitudes.
  • Apresenta um comportamento que inspira confiança e credibilidade.

Não vote em quem…

  • É reconhecidamente desonesto, independentemente do partido, religião ou posição que o candidato tem na pesquisa.
  • Promete fazer aquilo que não é de sua competência.
  • Tenta comprar seu voto.
  • Coloca o lucro e a economia acima de tudo.
  • Faz da política uma profissão, perpetuando-se no poder por anos.
  • Apresenta atitudes agressivas físicas e morais.
  • É arrogante, demagogo, apresenta-se bem, mas não possui propostas efetivas.
  • Atenta contra a vida e a dignidade dos pobres.
  • Não inspira confiança.

O compromisso com a verdade é outro valor fundamental para os cristãos e para o bom funcionamento da sociedade. “Os cristãos não devem votar em candidatos que ofereçam dinheiro, cesta básica ou algum tipo de cargo público em troca do voto”, aponta Tarcísio.  É importante pesquisar se o candidato, caso já tenha sido eleito para algum cargo anteriormente, apoiou o combate à corrupção ou se está sendo investigado por ligação com algum esquema de corrupção.

Uma grande e recorrente dúvida: afinal, anular o voto ou votar em branco é a melhor forma de “protestar” com relação à atual situação do país?

Antes da Constituição de 1988 os votos em branco eram computados para o cálculo do quociente eleitoral. Após a promulgação da Carta Magna (art. 77 § 2º), e após a Lei 9.504/97 (art. 5º), os votos em branco deixaram de ser contados, contam-se apenas os votos válidos.

“Os católicos versados em política e devidamente firmes na fé e na doutrina cristã, não recusem cargos públicos, se puderem por uma digna administração prover o bem comum e ao mesmo tempo abrir caminho para o Evangelho”.
Concílio Vaticano II

Andrei

O bacharel em direito e paroquiano da Paróquia São Joaquim, de Garopaba, Andrei de Oliveira, 26 anos, frisa que “votar em branco, ao contrário do que muitos pensam, não é uma forma de protesto, afinal, os votos serão descartados, a grosso modo falando. Ao votar em branco, você ignora o direito ao voto direto, adquirido a duras penas anos atrás”. O jovem aconselha o eleitor a procurar um candidato que acredite que irá representá-lo e trazer os ideais da Igreja para o mundo político.

“Se pudesse deixar uma última mensagem eu diria: rezem pelos políticos, eles têm o poder e o dever de cuidar do nosso povo, e se estiverem sob a proteção de Deus, tudo ficará bem. Aconselho que todos leiam 1Tm 2,1-2”, conclui Andrei.

Fique atento!

Nos últimos anos, os meios de comunicação, especialmente as redes sociais estão sendo tomadas por notícias falsas, as “Fake News”. Essas informações atrapalham o debate público. Por isso, fique atento a essas dicas:

  1. Verifique a fonte da informação em sites ou veículos de comunicação confiáveis.
  2. Leia a matéria completa e não apenas os títulos.
  3. Veja quem é o autor da informação e se ele realmente existe.
  4. Analise se a data de publicação é atual.
  5. Questione se a informação é uma piada, ironia ou gozação.
Informe-se!

Para ajudar você a votar com consciência e convicção, a CNBB Regional Sul 2 preparou uma Cartilha de Orientação Política para Eleições 2018. Além disso, você pode pegar na sua paróquia o folder “Os Cristãos e as Eleições”, preparado pela Arquidiocese de Florianópolis.

 

São Tomás More – padroeiro dos políticos

Tomás More nasceu em Londres no ano de 1478. Seus pais eram cristãos e educaram os filhos no seguimento de Cristo. Aos 13 anos de idade ele foi para a Universidade de Oxford.

Aos 22 anos já era doutor em direto e um brilhante professor. Sua diversão era escrever e ler bons livros. Além de intelectual brilhante, ele tinha uma personalidade muito simpática, um excelente bom humor. Casou-se, teve quatro filhos, foi um excelente esposo e pai, carinhoso e presente.

More nunca se afastou dos pobres e necessitados, os quais visitava para melhor atender suas reais necessidades. Sua esposa e filhos o amavam e admiravam, pelo caráter e pelo bom humor, que era constante em qualquer situação. A sua contribuição para a literatura universal foi importante e relevante. Escreveu obras famosas como “Utopia” e “Oração para o bom humor”.

Aconteceu que o rei Henrique VIII tentou desfazer seu legítimo matrimônio com a rainha Catarina de Aragão, para se unir em novo enlace com a cortesã Ana Bolena, contrariando todas as leis da Igreja. Para isto usou o Parlamento Inglês e passou a proclamar o rei e seus sucessores como chefes temporais da Igreja da Inglaterra, criando a Igreja Anglicana. Tomás More foi contra a decisão do rei.

Então, o rei mandou prender e matar Tomás More, que foi decapitado em 1535, mantendo firme sua fé católica.

São Tomás More foi canonizado no dia 19 de maio de 1935, por Papa Pio XI.

Matéria publicada na edição de setembro de 2018 do Jornal da Arquidiocese, páginas 06 e 07.

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