Entre os dias 22 a 24 de setembro, a Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, em Canasvieiras, encerra as festividades do Ciclo do Divino 2017, com uma programação especial organizada pelo casal festeiro Blaudio José Souto e Adésia Machado Souto. Durante toda a semana, novena, procissão e cortejo marcam a abertura dos festejos.

No domingo, 24 de setembro, último dia de festa, ocorre o encontro das bandeiras e Missa na Igreja São Francisco de Paula. A programação conta ainda com almoço festivo, tarde com música, cortejo e apresentação dos casais festeiros de 2018.

Casal festeiro Blaudio José Souto e Adésia Machado Souto, com o Pe. Pedro Koehler

O Ciclo do Divino, tradição secular que movimenta Florianópolis, começou em maio e ao todo passa por 14 comunidades, celebrando a fé, os costumes e promovendo a união e solidariedade entre a população.

Mais informações da festa no facebook da Paróquia.

 

Tradição

O Ciclo do Divino Espírito Santo é uma das tradições mais antigas de Florianópolis, cultivada e passada de geração a geração por mais de dois séculos. Comemorada a partir das celebrações de Pentecostes (50 dias após a Páscoa), a festa mescla elementos religiosos e folclóricos. Os festejos abrangem novenas, promessas, folguedos populares, folias e cantorias. Contemplam também a procissão da corte imperial e a cerimônia de coroação do Imperador, considerado o principal momento do evento.

Isso porque, segundo historiadores, o início da festa em terras portuguesas é atribuído à devoção da Rainha Isabel de Aragão (1270-1336). De acordo com o artigo “Isabel e a Origem das Festas do Espírito Santo entre os Portugueses”, a rainha casada com Dom Dinis, rei de Portugal, fez uma promessa para encerrar as desavenças entre o esposo e o filho, o Príncipe Afonso.

Os conflitos eram frequentes porque o rei demonstrava predileção por outro descendente, Afonso Sanches, concebido fora do casamento. Temendo pela morte de um dos dois durante as brigas, a rainha prometeu ao Espírito Santo que realizaria um dia de culto e entregaria a própria coroa se a paz voltasse a reinar. O pedido foi atendido e em agradecimento, Dona Isabel levou à coroa à Igreja do Espírito Santo. Para a entrega, no Dia de Pentecostes, formou-se uma solene procissão com nobres carregando estandartes enfeitados.

Por determinação da Casa Real, a festa passou a se realizar todos os anos na mesma data, ultrapassando as fronteiras do tempo e do território português. Foi assim e com a colonização açoriana que Florianópolis, ou a então Desterro, passou a celebrar as Festas do Divino.

Depois de ver seu reino voltar a ter paz e de ser a idealizadora de uma das tradições mais antigas e importantes de seu povo, Isabel de Aragão ficou conhecida como “Rainha Santa”, sendo canonizada pela Igreja em 1625, em razão de diversos milagres a ela atribuídos.

Em Florianópolis

Em Florianópolis, a Lei Municipal nº 8.010/2009 instituiu a quarta-feira anterior ao domingo de Pentecostes como o Dia Municipal de Abertura Oficial das Festividades do Ciclo do Divino Espírito Santo. Em todos os anos solenidades marcam a data e no sábado seguinte, geralmente em maio, ocorre a abertura oficial dos festejos.

Em uma linda cerimônia reúnem-se as 14 comunidades que realizam a Festa, além de cortejos de Municípios vizinhos para comemorar a abertura do Ciclo. A solenidade ocorre no centro de Florianópolis e tem seu ponto mais marcante no grande desfile que cobre as ruas da cidade de tradição e fé.

Por Claudia Xavier / Assessora de Comunicação
Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Juventude

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