DSC_6139“Um grande silêncio reina hoje sobre a terra; um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei dorme. A terra estremeceu e ficou silenciosa, porque Deus adormeceu segundo a carne e despertou os que dormiam há séculos […]. Vai à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Quer visitar os que jazem nas trevas e nas sombras da morte. Vai libertar Adão do cativeiro da morte” (Oficio do Sábado Santo).

Poucos escritos na história da Igreja expressam com tanta profundidade o mistério do Sábado Santo, como essa antiga homilia de um autor desconhecido do século VI.DSC_6150

E assim, as 71 paróquias da Arquidiocese celebraram a Vigília Pascal – “a mãe de todas as vigílias” – como afirmava Santo Agostinho – no sábado, 15. O Arcebispo Dom Wilson Tadeu Jönck, scj, presidiu a celebração da Páscoa de Jesus na Catedral, concelebrada por outros padres e que contou com a participação dos seminaristas da teologia, do Seminário Convívio Emaús.

A liturgia dessa noite é riquíssima, muitos sãos os símbolos, profundos os significados. A celebração teve início do lado de fora da Catedral, pois foi fora da Igreja que Cristo encontrou a humanidade envolta em trevas e dor. O fogo, abençoado pelo Arcebispo, representa o desejo do céu que é aceso dentro de cada um pela graça da Páscoa. Com o fogo novo abençoado, acende-se o Círio Pascal, vela símbolo que representa o Cristo Ressuscitado.DSC_6165

Em seguida, Dom Wilson cravou no Círio cinco grãos de incenso, que simbolizam as chagas gloriosas de Cristo. Tendo feito esses ritos iniciais, os sacerdotes e os fiéis entram na Igreja que está escura, brilha apenas a luz do Círio. Nessa luz, serão acesas as velas dos fiéis, enquanto se canta por três vezes: “Eis a luz de Cristo… Demos graças a Deus…”DSC_6197

Ao término da procissão, o Círio foi colocado no presbitério, e o pároco da Catedral, Pe. David Coelho, cantou a solene proclamação da Páscoa, com o belíssimo hino Exultet.

Outro aspecto interessante dessa celebração é a quantidade de leituras. São propostas ao todo nove, sete do Antigo Testamento e duas do novo. Há quem se queixe, pois a celebração fica demasiada longa, porém vale apena lembrar que se trata de uma vigília e não de uma Celebração Eucarística comum. Na Catedral em Florianópolis foram feitas três leituras do Antigo Testamento e uma do Novo.

Entre uma leitura e outra, intercaladas por salmos e orações, desenrola-se a narrativa de toda a história da salvação, desde a criação, passando pelas várias alianças, até chegar à nova e eterna aliança em Cristo, que proporciona uma nova criação.DSC_6200

O momento do Glória – silenciado por toda a Quaresma – contou com badalar de sinos e louvores pela ressurreição do Senhor. O rito ainda contou com a bênção da água e a renovação das promessas batismais.

Imagens da Vigília Pascal 

Dom Wilson apontou que a ressurreição é a garantia de uma nova criação. “Se vivermos com Cristo Ressuscitado haveremos de ver uma outra realidade. Onde há desânimo, ajudamos as pessoas a animá-las e assim por diante. Cristo sofreu perseguições de todo tipo, mas dentro dele havia esperança. Cristo quando morre tinha um rosto alegre, apesar de todo sofrimento. Por isso cantamos o Aleluia, a alegria. E também por isso se diz que é o Sábado de Aleluia”.DSC_6208

O Arcebispo destacou que com a ressurreição de Cristo, “não tem mais lugar para nossas briguinhas, nossos desentendimentos. Cristão é àquele que coloca Cristo como centro de sua vida”.

Ao final da celebração, Pe. David agradeceu o auxílio e a participação dos movimentos e pastorais durante o tempo quaresmal e, especialmente, na Semana Santa.

A Páscoa é o centro da vida da Igreja. Tudo brota e converge para ela, é a passagem da morte para a vida. É tão importante que a liturgia proporciona 50 dias para o cristão usufruir da alegria do Ressuscitado no meio da humanidade, período esse chamado de tempo pascal e que dura até o domingo de Pentecostes, onde Jesus, ao subir aos céus, envia o Espírito Santo prometido.DSC_6213

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Imagens da Sexta-feira da Paixão – Parte III – Encenação

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Seminaristas da teologia. Rezemos por novas vocações sacerdotais.

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